Sr. Manel

Acho que os gajos das finanças andam a tramar alguma. Hoje apareceram-me aí, armados em parvos, num Almera que diziam ter os pneus descalibrados. Claro que já os tinha topado, porque mal cruzaram a Chaimite o Zé Petróleo ligou-me logo a avisar que vinham aí chibos. Mandei o puto ver aquilo e fui-os distraindo com umas tretas. Enquanto os afastava dos livros à custa do meu rico bagaço apareceu-me o puto todo atrapalhado, que o carro não tinha nada e que assim não sabia trabalhar; uma navalhada na panela de escape, sentenciei. Já sei quem é que vai passar a hora de almoço com os tomates na garganta agarrado à papelada e a chorar ao telefone com o contabilista. Temos que ser uns para os outros. Lembra-me os bons tempos da Caparica, do avançado clandestino, do VW convertível, das sardinhadas e daquela emigra com um rabiosque que era de comer e chorar por mais. Mas isso são mais quinhentos paus. Se a patroa desconfia, lá fico eu aposentado à revelia.

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