Tó Manel
Contra o que é que me vou revoltar hoje? Nem sei, há tanta coisa que nem sei por onde é que hei-de começar. Música? Realmente o brazuca deixa-me isto numas rádios merdosas, mas a música já foi a minha revolta na sexta-feira. Podia-me revoltar contra a revolta, mas ainda entro numa espiral, e a única coisa espiral que quero ver por aqui são molas helicoidais. Porque revoltarmo-nos contra a revolta é uma cena do caralho, a própria revolta contra a revolta é uma revolta em si, e isso não faz sentido. Um bocado como o ser proibido proibir. Se a proibição da proibição é uma proibição em si, será legítima?
Foi por estas e por outras que nunca atinei com filosofia no liceu. As únicas aulas que fizeram sentido estava eu com uma moca do caralho. E se a prof era boa, espreitar-lhe por baixo da saia, quando se sentava na secretária, era um imperativo categórico. Chamávamos-lhe Emanuelle Cunt.