Marilene: a menina do calendário

Ufa! Desta, safei-me. Graças a São Jorge, que o meu Tó Manel passou aqui pela oficina! Se não fosse ele, já eu estava a caminho de ser embalagem. Aquela galdéria! Ai se fosse de carne e osso, três dimensões, ela ia ver. Ai ia, ia! Puxava-lhe os cabelos, dava-lhe umas palmadas bem tocadas, que até voava (também, não falta muito, vem um ventinho mais forte e lá se tem de agarrar ao papá!). Não haveria alguém que me agarrasse. Nem Senhor Manel, nem Senhor algum! Punha-a no chão num instante. Agora, pôr-me no caixote do lixo?! E é espertinha, a enjoada, ehn?! Pôs-me na reciclagem, porque já sabe que ninguém aqui liga para isso. Estão-se todos nas tintas, o que eles querem é mais escapes! Só o Ibeson, pobrezinho, é que, quando se lembra lá dos matos por onde andou a correr em criança, faz uma boa acção e separa as embalagens de óleo. Foi mesmo intercessão divina o Tó Manel andar à minha procura e achar-me no contentor azul ao pé do Talho. Agora, tenho de me recompor. Foi cá um susto.

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