Alcino Lopes
Estou práqui sentado num cadeirão sebento e todo fodido, rodeado de sucata e óleo queimado, a ouvir merdas antigas no iPod (Touched by the hand of god, para ser mais preciso. Eu sei, sou um produto da cultura pop dos anos 80, traumas de infância...) á espera que estes gajos me digam alguma coisa se tenho ou não de trocar os pneus do chaço e reparo que o Tó Manel está a contemplar de forma estranha o rego do cagueiro do braza que está neste momento agachado a ver se o caralho dos pneus têm rasto ou não. É pá, eu até entendia a cena do cú, também gosto de comer o meu cagueiro quando posso, no entanto acho que um cú pode ser cú, mas há um milhão de pêlos de diferença... E eu para pêlos já me bastam os meus.
Apercebo-me que já convivo com o gajo á uma data de tempo e nunca tinha reparado que o gajo gosta de cú com pêlos (ou não, mas também não vou perguntar, não vá o gajo pensar que estou a oferecer alguma coisa).
É mesmo verdade que ninguém conhece ninguém, e digo isto da forma mais absoluta possível - nem a nós próprios nos conhecemos. E mais, todos nós temos sempre uma necessidade qualquer de esconder algo acerca de nós de quem nos rodeia (ou não é nada disto e sou só eu que penso e sou assim). Seja por ser algo de que nos envergonhamos ou apenas algo que queremos esconder de modo a preservar a nossa individualidade como seres humanos. E isto acaba por dar situações estranhas, como contar a um perfeito estranho com quem falei no comboio ou no metro uma merda qualquer que me define (ou rotula) como pessoa - qualquer coisa de verdadeiramente essencial - e depois não conseguir fazer o mesmo com a pessoa com quem vivo e a quem digo todos os dias que amo e ao falar com o estranho sentir que estou a traír a pessoa que me é próxima (como se fosse sexo intelectual). Ou também escrever merdas sob pseudónimo, porque é demasiado complicado dizer certas coisas em voz alta (ou ninguém te liga, ou acabas por levar com mais uma etiqueta e eu não gosto dessas merdas - tenho alergia ao autocolante). Ninguém conhece ninguém, podes conviver durante anos com alguém e nunca te aperceberes que esse gajo(a) te odeia e só te suporta porque precisa de ti para subir na vida ou que te segue para todo o lado porque sonha com o dia em que te vai mamar na gaita e te vai confessar que te ama, ou qualquer outra coisa, podes cumprimentar o teu vizinho todos os dias, ter o gajo a jantar lá em casa, ...e nunca te aperceberes que o que gajo curte mesmo é a cena das algemas e da roupa de cabedal, acaba por ser um bocado aterrador viver com esta forma de encarar o mundo e as pessoas. Acabo por criar papéis que represento conforme o público que assiste (ou então isto sou apenas eu e a minha esquizofrenia, o cabrão do psiquiatra não me quer receitar drogas pra isto, o que é que eu tenho de fazer? comecar a falar dos anõezinhos verdes ao filho da puta?) para esconder aquilo que acho que vai chocar ou apenas para estar na defensiva em relação a alguém que me assusta ou me tenta controlar. Ninguém conhece ninguém, a pessoa que te diz que te ama não é de facto isso que quer dizer, ele(a) apenas ama a imagem que tem daquilo que gostava que fosses e apenas te suporta e convive contigo porque és uma vaga aproximação dessa imagem e vais dando para desenrascar. Ou tens guito a menos, ou piça a menos (ou a mais?!?), ou pança a mais, ou pêlos a mais, ou os dentes todos podres, ou és um banana, ou tens um feitio de filho da puta, é só escolher.
Foda-se, que horas são? Tenho de falar com o Sr. Manel para ele por ordem nesta merda, estou aqui já faz 2 horas a ouvir estes gajos a falar do meu carro como se fosse um caralho dum Ferrari e que os Pirelli PX23 são melhores que os Bridgestone SB44 e que nem pensar nos Michelin VSC44D (ou qualquer outra merda parecida), e quais é que curvam melhor, como se eu entendesse alguma coisa dessa merda. Quero que o filha-da-puta do chaço ande sem eu ser multado por ter os pneus carecas e que essa merda não me saia muito caro, que o estado não me paga assim tão bem e eu estou a foder o dinheiro todo que tenho com outras merdas - tenho projectos, I have a dream.... Ainda se desse para comer a gaja do calendário, essa sim tem um cú valente, e sem pêlos, espero eu...
Apercebo-me que já convivo com o gajo á uma data de tempo e nunca tinha reparado que o gajo gosta de cú com pêlos (ou não, mas também não vou perguntar, não vá o gajo pensar que estou a oferecer alguma coisa).
É mesmo verdade que ninguém conhece ninguém, e digo isto da forma mais absoluta possível - nem a nós próprios nos conhecemos. E mais, todos nós temos sempre uma necessidade qualquer de esconder algo acerca de nós de quem nos rodeia (ou não é nada disto e sou só eu que penso e sou assim). Seja por ser algo de que nos envergonhamos ou apenas algo que queremos esconder de modo a preservar a nossa individualidade como seres humanos. E isto acaba por dar situações estranhas, como contar a um perfeito estranho com quem falei no comboio ou no metro uma merda qualquer que me define (ou rotula) como pessoa - qualquer coisa de verdadeiramente essencial - e depois não conseguir fazer o mesmo com a pessoa com quem vivo e a quem digo todos os dias que amo e ao falar com o estranho sentir que estou a traír a pessoa que me é próxima (como se fosse sexo intelectual). Ou também escrever merdas sob pseudónimo, porque é demasiado complicado dizer certas coisas em voz alta (ou ninguém te liga, ou acabas por levar com mais uma etiqueta e eu não gosto dessas merdas - tenho alergia ao autocolante). Ninguém conhece ninguém, podes conviver durante anos com alguém e nunca te aperceberes que esse gajo(a) te odeia e só te suporta porque precisa de ti para subir na vida ou que te segue para todo o lado porque sonha com o dia em que te vai mamar na gaita e te vai confessar que te ama, ou qualquer outra coisa, podes cumprimentar o teu vizinho todos os dias, ter o gajo a jantar lá em casa, ...e nunca te aperceberes que o que gajo curte mesmo é a cena das algemas e da roupa de cabedal, acaba por ser um bocado aterrador viver com esta forma de encarar o mundo e as pessoas. Acabo por criar papéis que represento conforme o público que assiste (ou então isto sou apenas eu e a minha esquizofrenia, o cabrão do psiquiatra não me quer receitar drogas pra isto, o que é que eu tenho de fazer? comecar a falar dos anõezinhos verdes ao filho da puta?) para esconder aquilo que acho que vai chocar ou apenas para estar na defensiva em relação a alguém que me assusta ou me tenta controlar. Ninguém conhece ninguém, a pessoa que te diz que te ama não é de facto isso que quer dizer, ele(a) apenas ama a imagem que tem daquilo que gostava que fosses e apenas te suporta e convive contigo porque és uma vaga aproximação dessa imagem e vais dando para desenrascar. Ou tens guito a menos, ou piça a menos (ou a mais?!?), ou pança a mais, ou pêlos a mais, ou os dentes todos podres, ou és um banana, ou tens um feitio de filho da puta, é só escolher.
Foda-se, que horas são? Tenho de falar com o Sr. Manel para ele por ordem nesta merda, estou aqui já faz 2 horas a ouvir estes gajos a falar do meu carro como se fosse um caralho dum Ferrari e que os Pirelli PX23 são melhores que os Bridgestone SB44 e que nem pensar nos Michelin VSC44D (ou qualquer outra merda parecida), e quais é que curvam melhor, como se eu entendesse alguma coisa dessa merda. Quero que o filha-da-puta do chaço ande sem eu ser multado por ter os pneus carecas e que essa merda não me saia muito caro, que o estado não me paga assim tão bem e eu estou a foder o dinheiro todo que tenho com outras merdas - tenho projectos, I have a dream.... Ainda se desse para comer a gaja do calendário, essa sim tem um cú valente, e sem pêlos, espero eu...