Alcino Lopes

Foda-se! (devo sofrer de Tourette ou o caralho, tenho a mania de começar a falar sempre com um palavrão, tenho de falar nisto ao Dr. Osório, a ver se há drogas que curem esta merda, já que os anõezinhos verdes não resultaram...)
Gajos chatos são iguais no país inteiro. Começo a achar que o problema não são as pessoas que são chatas ou burras ou que querem vigarizar o estado (para quem eu trabalho). Acho que o problema sou mesmo eu e a maneira como falo para elas que as faz começar instantâneamente a espumar pela boca.
Eu bem tento ser simpático, atencioso (bem... é mais para as gajas com bom aspecto), mas as gajas armadas em boas, os dótôres(as), os velhos armados em espertos e de um modo geral qualquer gajo que me apareça á frente com a puta da atitude de quem só tem direitos e se esquece das obrigações, toda essa corja me tira do sério. E como passei quase 8 anos de trabalho a aprender a foder a vida ao utente chato (e tenho um excelente desempenho nessa área, ultrapasso largamente os objectivos, conseguia irritar o Ghandi se tivesse de atender o cabrão – bem… se o cabrão ainda fosse vivo...) sinto um certo prazer interior cada vez que apanho um destes espécimens pela frente.
Não foi para isto que eu fiz o 25 de Abril (práí com 2 anos... mas fiz!), onde é que está o respeito de que eu ouvia falar em relação aos funcionários do estado? Eu afinal trabalho, não vou lá todos os dias só para coçar o escroto como eu vejo o braza a fazer aqui na oficina. Enganaram-me bem quando me falaram que trabalhar para o estado era só facilidades - ando a ser enrabado com essa história desde que comecei a trabalhar para esses filhos da puta (ou seja, para todos nós - "l'etat c'est moi" aussi). Trabalho que nem um cão (bem… quase todos os dias, não é sempre, não quero enganar ninguém), sou tratado de preguiçoso, vigarista e merdas afins por gajos que são todas essas merdas e coisas bem piores, gajos engravatados a esfregar a merda do diploma no nariz dum gajo que depois parecem analfabetos quando têm de preencher um impresso de merda onde é quase só escrever o nome... Não vejo aumentos (merdas abaixo da inflação não são aumentos, é gozar com a minha cara) desde... bem... sempre, tenho a "carreira" congelada e só ouço falar de que vão uma camada de gajos para a rua (ou lá que merda lhe chamam agora) e ao fim destes anos todos não percebo o que caralho tem de bom trabalhar para o estado para além do horário certo e ordenado garantido (como tem muita gente no "privado"). E também, se for para a rua, que se foda! Também não gosto daquilo, nunca gostei, "I wanted to be a lumberjack, leaping from tree to tree as they float down the mighty rivers of British Columbia..." pode ser que fique com mais tempo para viajar (só vou é ter de roubar um banco para arranjar dinheiro para essa merda).
Mas isto está a mudar em todo o lado, o Sr. Manel que não se ponha a pau e qualquer dia volta e tem a oficina transformada num centro de tuning, tudo limpinho, cheio de mostruários de autorádios, colunas, amplificadores e jantes, cheio de posters de Corsas, Golfs e 306's todos kitados (as saudades que eu vou ter das mamas da gaja do calendário). Já começou no portão da garagem com os grafittis, ainda vou ter de andar aqui a tratar o Tó Manel por T-Man e o Sr. Manel por Manny the Dog. Até tenho medo de trazer cá o meu sucatório, fico sempre á espera de o vir levantar e de me entregarem uma merda que mais parece uma árvore de natal, cheio de plásticos a raspar pelo chão, jantes maiores que os pneus que tenho montados agora, tablier a parecer o centro espacial da NASA e sem espaço na mala para mais que uma caixa de pastilhas elásticas no meio das colunas e restante tralha... foda-se! era só um pesadelo... acorda, caralho!!!

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