Marilene: a menina do calendário

Estou muito triste! Nem o sol bonito que está hoje me alegra! Nem um milagre do meu São Vítor me tirava esta tristeza que tenho no peito! Aliás, é tudo culpa dele! Do meu peito, claro! O São Vítor não tem culpa de nada. Pintei o cabelo de castanho, para quê? Continuam a ver-me como uma miúda de calendário qualquer! Só pensam em... eu nem me atrevo a dizer! Ainda os meus Santinhos se lembram de me castigar! E eu não sou uma rapariga dessas. De andar para aí a dizer asneiras. Ai, quem me dera fugir de vez com o Alfredo! Aposto que o Alfredo é um rapaz sério, daqueles que já não existem. De certeza que me levava a passear e a ver Paris. O Ibeson é que me contou, que era a rota do Alfredo. E eu sempre sonhei ir a Paris. Descer os Champs Elysées no camião do Alfredo! Isso é que era! Agora, passo os dias a aturar cada um. O Senhor Alcino põe-se aí aquele discurso de vítima, a dizer que trabalha muito e que trabalha muito. Balelas! Olha, olha, a ver se eu caio. São todos iguais! São todos iguais! Mas aqui da Marilene não levam nada! Uma rapariga tem que se dar ao respeito, ora essa! A ver se os carros não gostam que os tratem bem!

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