Marilene: a menina do calendário
Isto é uma pouca vergonha! Esta oficina vai de mal a pior e ninguém parece importar-se, a não ser eu, claro! Ainda mal me recompus do boato que o meu querido Senhor Manel havia fugido com a Madame – isto de ouvir às paredes, tem que se lhe diga, olhem para mim, mas eu não espalho boatos, não! tudo o que ouço fica nestas folhas de papel! – bem, ainda mal me recompus, quando entra aqui a sonsa da filha daquele sacana (ah, pois! Depois do que ele fez à minha querida mãezinha – que está no Céu, nosso Senhor a guarde! foge de mim, logo agora que estava a conseguir provar que sou herdeira de metade aqui da barraca) a dizer que vai comprar um pda. Um pda?!!! Mas o que é isso? Onde é que nós já vamos, minha querida Santíssima???!!! Ai é? Pois bem, amanhã faço greve! Mas não é greve de um dia! Ah, não, não! (Cá para nós, um dia não dá para nada, passo a manhã no cabeleireiro, que isto de ser morena nunca deu e depois já não tenho tempo para mais nada...) Vou fazer greve quinze dias! Cá com a Marilene é assim! Quero ver como é que se vão orientar estes dias, sem onde riscar e apontar as horas do carro do Alcino! Ah, pois, o Senhor Alcino está aí a chegar de férias, deve vir com o carro todo roto e vai andar por aqui a cirandar... É mesmo o melhor que tenho a fazer. Só de pensar na baba a cair sobre as minhas bonitas folhas... Credo! Nem quero pensar!