Tó Manel

Os cabrões dos putos da sonho de Abril voltaram a vir aqui pintar o portão da oficina todo. Só tags, e ainda por cima pintam mal comó caralho. Esta merda até está a ficar fixe com as obras, não me cabe na cabeça é o Manel ter aquele guito todo na caixa e nunca dizer nada a ninguém. Nós a pagar juros da conta corrente no banco com aquele guito todo ali. Foda-se, nem sei que lhe faça, se não fosse eu esta merda já tinha ido pró galheiro há bué. Deu pra pagar as cenas todas e ainda sobrou pra isto, ver se começamos a trazer aqui malta com carros fixes, e já agora com guito, que pague. Nice, nice, era sermos reparadores autorizados aí de uma ou duas marcas, mas só comigo e com o brazuca tamos fodidos. Bem, assim vamo-nos aguentando, é preciso é manter esta merda com bom aspecto, o que vale é que durante o dia o portão está pra cima e não se vêem as pinturas. Acho que vou pedir aos bacanos do contingente pra virem cá e pintarem o portão como deve ser, com graffitis a sério. Ficava muito nice e os putos não iam pintar por cima... quer dizer... acho eu, já nem estas merdas os putos respeitam, estão-se a cagar pra tudo.
No 25 de Abril fui à manif contra o fascismo, como anarquista (não activista) que sou. Claro que fomos todos, a malta da banda e o contingente. Um gajo tem ideias bem definidas pra isto, sabe como quer fazer as coisas, como gostava que elas fossem, e a ideia de ter-mos políticos (no pior sentido da cena) à frente de um país, a decidir o que queremos, o que podemos fazer, faz com que vivamos contantemente à beira da ditadura - ou dentro de uma, versão soft. Não devia haver governos, porque as pessoas deviam ser livres. Enquanto houver poder, vai haver quem lá está e quem queira controlar os outros, é inevitável. A cena que queria mesmo era esvaziar o poder, mas deixá-lo vazio, dá-lo às pessoas. Utópico? Claro! Cada vez mais as pessoas, em vez de evoluírem, têm tudo o que precisam para isso nos tempos que correm, estupidificam, embrutecem. Se em vez desta sociedade de merda baseada no poder, vivêssemos numa baseada na inteligência não havia necessidade de poder, de polícias, de anti-depressivos. Qualquer gajo com dois dedos de testa, e um mínimo de cultura, percebe que é possível vivermos todos juntos e sermos todos felizes se vivermos a nossa vida e formos fixes pró resto do pessoal. E que andar à porrada, a tentar foder toda a gente, a fanar, a estragar, não leva a lado nenhum. Os putos hoje em dia não respeitam nada, a verdade é essa. Os que se revoltam contra as merdas e desatam a fazer esta merda toda só estão a piorar as coisas, e a contribuir pra que o mundo nunca mude, a dar motivos aos filhos da puta no poder para abusarem dele. Olhem o que aconteceu nos Estados Unidos com a merda dos atentados. Têm desculpa pra fazerem o que querem e o que lhes apetece, lá dentro e cá fora. Os pais em vez de terem livros prós putos lerem põe-nos a ver o Big Brother, porque eles também querem ver o Big Brother. Nem sabem de onde é que veio aquela merda, leram o Metro e o Destak porque são à borla, com as suas notícias de merda, vêem a TVI e acabou. E acabamos num mundo pior que o do 1984, forçarem-te a ver 4 dedos onde estão 5? Não precisam, as pessoas estão tão estúpidas que já não sabem contar. Acho que estamos pior que numa sociedade daquelas. O Moore escreveu a Utopia bem antes e, apesar de algumas merdas estúpidas, estava muito mais à frente, as ideias de sociedades que conseguem viver em paz por elas é do caralho. A anarquia exige níveis culturais e de inteligência superiores, que estão cada vez mais longe.
Conclusão, bazámos da manif assim que vimos o tipo de gente que lá estava. Bora lá partir esta merda toda contra o fascismo. Olha que bela merda, a dar motivos à bófia pra lhes ir à tromba é o que é. Adoro estes gajos que estão contra tudo. Contra o fascismo, e se pudessem matavam esta gente toda, ficavam com tudo e obrigavam toda a gente a fazer o que eles querem. Contra o racismo, e se pudessem matavam os filhos da puta dos brancos ou dos pretos, porque são racistas. Contra a globalização, e se pudessem matavam toda a gente no mundo, organizavam-se através da internet e iam de avião para encontros mundiais contra a globalização, com pessoal de todo o mundo que partilha as ideias deles. Será que só eles é que não vêem as contradições todas desta merda? Eu faço o que posso...

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