Alcino Lopes

Mais um S. João, mais um bubadeirão (esta foi para rimar), um gajo não pode ir ao norte, onde quer que entra está de copo (ou garrafa) na mão. Voltei a consumir essa grande instituição nacional que é a "mine" (aquela garrafa pequenininha), sinais de fraqueza…
Esta coisa de palavras acabadas em “inho” mete-me nojo, cada vez que me chamavam Alcininho sentia-me diminuído na minha masculinidade, até que peguei na lupa e procurei por ela (a masculinidade) e, verificando que era mesmo pequenininha, deixei-me de coisas. Entretanto os anos passaram e cresci um bocado (nomeadamente para a frente e para os lados) e, embora ainda haja partes da minha anatomia que não acompanharam esse ritmo de crescimento, as pessoas lá deixaram de me chamar Alcininho (a não ser duas ou três fêmeas que tiveram conhecimento carnal da "borbulha" – que por acaso é a minha alcunha em certos círculos femininos mais restritos).
Mas também não é problema, compenso bem essa merda ao balcão do serviço, aí fodo toda a gente que me aparece pela frente (gajas, gajos, novos, velhos, brancos ou de qualquer outra cor, não sou um gajo que discrimine).
Entretanto o Tó Manel lá me lixou, andei eu estes anos todos a tentar não ser como todos os meus colegas e lá acabo como eles também. O Sr. Manel lá se fodeu. Enganou-me bem o gajo, eu a pensar que ele era um homem todo “Deus Pátria e Família” e afinal era um devasso do caralho que torrava o dinheiro que tinha em copos e nas putas da Madame Filipa, aposto que não disseram nada disso no funeral e que a patroa deve andar aí a dizer que o gajo era um santo e que nunca lhe faltou com nada e o resto das merdas que se diz de qualquer gajo que já quinou. O Tó Manel é que tem razão, esta merda de céu e inferno não faz mesmo sentido nenhum, porque um gajo pode ser em vida o maior filho da puta mas quando morre é sempre mais santo que o Ghandi (que podia ser um gajo porreiro mas não era católico…). Nunca percebi essa merda, afinal quem são os gajos que vão parar ao inferno? Cá para mim o Hitler está lá a sentir-se muito sozinho… É por essas e muitas parecidas que as noções de alma e vida para além da morte (pilares principais de qualquer religião) são teorias (porque disso não passam) estúpidas e, mais que isso, completamente desprovidas de prova científica da sua existência.
Mas ia eu a dizer que o Tó Manel lá me cravou para tratar da papelada da oficina. Eu bem lhe tentei dizer que tenho regime de exclusividade com o estado e não posso fazer essas merdas (já para não falar que já esqueci a maior parte do que aprendi de contabilidade), mas o gajo lá veio com o choradinho (mais um “inho”, esta merda hoje não me larga, foda-se!!!) que o Manel tinha deixado a papelada numa confusão do caralho, e que o gajo não tinha tempo para fazer tudo, que se eu não percebia daquilo quem é que ia perceber e mais não sei o quê e lá disse que sim ao gajo.
Está ali um bom broche para resolver, quando vi os caixotes de papelada até tive de me sentar para não cair para o lado. Agora estou para ver se o gajo me continua a apresentar a conta quando lá for com o carro.
Ah, e o gajo que não pense que aquela merda é de borla, porque eu nem para o estado trabalho de borla. Bom, deixa-me ir ver se compro uns livros de contabilidade para ver se me lembro o que raio é o débito e o crédito e o que caralho é um balancete. Aproveito e passo na sex shop que já rebentei com a Melanie -“ânus vibrante, vagina palpitante” – era o que dizia na embalagem mas aquilo comia pilhas e nem se mexia, não durou uma semana, vou reclamar daquela merda…

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