Tó Manel
Já dizem os Lamb (das poucas cenas sem guitarras que um gajo ouve) "things change yet so much stays the same". As coisas encaixam e ficas na mesma. E basta uma pequena coisa, uma merdice de nada e podias dar a volta à tua vida. Mas volta sempre tudo ao mesmo, porque não controlas o que está à tua volta. E já tinha escrito (o outro)... desculpem... pensado (eu, Tó Manel) nisto antes. Há tantos milhões de pequenas merdas que influenciam quem tu és, onde estás neste preciso momento, o que fizeste e o que vais fazer, que sendo livre és constantemente prisioneiro de onde estás. Mais que isso, és prisioneiro do teu corpo, deste planeta, do que for. Nunca podes ser tão livre como quando pensas nas cenas, mas mesmo aí tens todo um esquema dentro do qual tens que pensar. Mas não era sobre isto que queria pensar hoje. Estava decidido a cagar para isto tudo, estava mesmo, uma pequena cena, uma resposta que não veio a tempo e pronto. Tudo ficou na mesma... acho eu. Por isto é que acho que precisamos de um manager, alguém que controle as cenas por nós, os concertos, as tournées e o caralho. Porque infelizmente temos cenas para fazer, e nestas alturas complicadas em que há oportunidades, mas um gajo está cheio de trabalho, é que o Jó-Jó tinha que estar fora e não ver os nossos mails a tempo, também não quis ser uma besta e bater-me ao piso, não queria que o gajo se sentisse obrigado a nada, só dar uma pista. Mas um gajo está decidido a dar o salto e nada, foda-se. Será que havia mesmo oportunidade de fazer os concertos no States? Era uma cena do caralho. Agora estou outra vez enterrado até aos tomates em trabalho na oficina, não sei se dá, se vamos ter outra oportunidade. Foda-se, tinha sido desta, e não sei se vamos conseguir ter as cenas tão alinhadas outra vez. Pode ser que tenha outra oportunidade, devo ver o gajo no Super Bock, vamos lá ver.
Isto põe-me a pensar, é fodido um gajo não acreditar em dEUS e nessas merdas. Porque torna a tua vida muito mais difícil, não acreditares que viemos todos do mesmo sítio, e que vamos todos para o mesmo sítio. Quer dizer, até viemos e vamos para o mesmo - nada. Nestas altura difíceis é que temos a tendência para precisar de uma coisa fácil a que nos agarrarmos, sofrer porque fizemos merda, ou passar por merdas para outros fins, escrever direito por linhas tortas e o raio que o parta. O caralho, estás sozinho e acabou. Por uma puta de uma cena num culhão estamos aqui, neste planeta, a pensar, a viver neste mundo, a fazer merdas que quando morreres acabaram. E daqui a uns milhões de anos, quando esta merda estoirar toda, nunca ninguém nem nada em sítio nenhum do universo vai saber que alguma vez existimos, o que é que andámos a fazer, se acabaste o filho da puta do carro daquele cabrão no dia que ele queria ou não. Isso obriga-te a pôr as cenas em perspectiva. Então porque é que não te estás a cagar e não és um filho da puta pra toda a gente? Bem, não é preciso ser bué inteligente pra perceber que se não andares sempre a foder toda a gente, é menos provável que te andem sempre a foder a ti. Agora, descobrir porque é que a puta da tua cabeça te impede de fazer as merdas que te apetece mesmo fazer...