Marilene: a menina do calendário
Hoje, mal consigo falar, vêm-me logo as lágrimas ao papel... E como o Ibeson ainda não tratou de me plastificar, tenho de me conter. Ai, como eu gostava que o Senhor Manel, neste dia tão especial, me dissesse, finalmente, a verdade. Eu não o levo a mal. Até o compreendo. A minha mãezinha (que está no Céu, Nosso Senhor a guarde!) não era nada de se deitar fora. Belas coxas - não tinha pernitas afiadas, não! - rabo firme e a andar parecia a Sofia Loren! Sacudia a anca e olhava de soslaio para os marialvas. Hoje, punha muitas jovens de 16 anos a um canto! Pois, porque, naquele tempo, falava-se muito em emancipação. Mas na emancipação, engravidou de mim e quis a minha avó que ela casasse com o padeiro, que, na altura na terra, tinha um negócio promissor. Passados alguns anos é que comecei a perceber por que é que a minha mãezinha se zangava tanto quando diziam que eu era filha do padeiro e depois se desatavam a rir, mesmo na cara dela. Ao que sei, até é muito normal. No outro dia, diziam na Telefonia, que há uma grande percentagem de filhos que não são filhos dos pais que dizem ser seus pais. A minha mãezinha era uma mulher muito moderna! Ai se era!
E, quanto a ti, Tózinho, hoje, nem mereces uma resposta da minha ilustre parte! Águas passadas são águas passadas. Vê lá tu se eu não estou sempre pronta a perdoar!