Alcino Lopes
O fodido da “coisa" é que (isto no meu caso) não me deixa gostar de mais ninguém. Em parte porque vejo nos outros o que acho mal em mim e acho que eles também deviam reconhecer isso e mudar (e como não mudam são apenas merecedores de desprezo). Em parte pela teoria antiga que se resume à frase “se eu não gosto de quem sou não pode existir (palavra usada sem conotação filosófica) ninguém que goste”.
Daí o meu profundo ódio a toda a raça humana (essa coisa bizarra).
Isto não tem de ser assim tão maniqueísta, tão preto-e-branco, eu é que sou um bocado de extremos – genes de família, ou apenas sinais de doença bipolar (tenho de falar nisto ao meu psiquiatra, pode ser que o gajo me arranje umas drogas novas)…
Estava farto da cidade onde vivia, tinha de aturar padres (era a cidade deles, para além das putas e dos paneleiros, os famosos 3P). Mas nem tudo foi mau, o desprezo que sentia pela maioria dos gajos de lá ajudou-me a pensar na coisa e a formular a minha pequena teoria da religião que sintetizei para quem me pergunta porque não acredito em deus e nessas merdas.
Isto não vem do ar, foi uma ideia que aproveitei de um livro do Bill Bryson - “A short story of nearly everything”. Nada de novo naquilo que penso - não fosse eu um gajo preguiçoso - mas a ideia é genial na sua simplicidade e utilidade. Permite-me deixar de me preocupar com merdas inúteis como deus ou como a morte e o que acontece depois (se sabemos o que acontece quando morremos para que é que andamos a inventar conceitos como “alma” para disfarçar a nossa crença estúpida de existir quando nos transformamos em pó?). Permite-me dedicar-me a fazer o que quero ou o que gosto… nihil mach frei – o nada liberta o homem.
Se algum dia se provar que deus (qualquer um deles, ou todos, ...ou não…) existe (nada de Sartre aqui também) a minha explicação não sai beliscada, porque posso sempre dizer que o cabrão existe “por acaso”…
Podem chamar-me preguiçoso. Prefiro isso a desperdiçar neurónios a tentar explicar uma coisa que a cada dia que passa se prova cada vez mais não existir (e custa-me aceitar uma coisa que não consigo explicar). Prefiro isso a abandonar-me intelectualmente a um bando de devassos e manipuladores e aguento bem ser posto de lado pelos borregos – desde á (ou à a badalhoca da minha prof de português devia ter-me chumbado no secundário) muito que não me sinto parte do rebanho.
Continuo fodido da cabeça, ainda não me passou por completo a neura e tenho de largar vapor, hoje foste tu Tó, desculpa lá, estavas a jeito e entre isto e foder, ...como não arranjo gaja...