Telefonia

"Well, Frank settled down in the Valley
And he hung his wild years
On a nail that he drove through his wife’s forehead.
He sold used office furniture out there on San Fernando road
And assumed a $30.000 loan at 15¼%
And put a down payment on a little two bedroom place.
His wife was spent piece of used jet trash
Made good Boody Marys, kept her mouth shut most of the time.
Had a little chihuahua named Carlos
That had some kind of skin disease and was totally blind.
They had a thoroughly modern kitchen,
Self-cleaning oven(the whole bit),
Frank drove a little sedan
They were so happy.

One night Frank was on his way home from work,
Stopped at the liquor store,
Picked up a couple of Mickey’s Big Mouths.
Drank’em in the car on the way to the Shell station,
He got a gallon of gas in a can,
Drove home, doused everything in the house, torched it.
Parked across the street, laughing, watching it burn,
All Halloween orange and chimney red.
Then Frank put on a top forty station,
Got on the Hollywood freeway, headed north.

Never could stand that dog."

Alcino Lopes

Até já me custa vir aqui a esta espelunca sebenta e ouvir sempre as mesmas perguntas de merda; Épá ó Alcino, quando é que arranjas gaja? Tu não serás mas é panasca? Qualquer dia apareces aí de mão dada com um “Dorival” (presumo que seja um desses primos rabetas do braza)... E merdas afins.
O que é facto é que, não tendo eu gaja, gostava de vez em quando de falar de gajas, mas já me vai custando, já me vou esquecendo do que isso é. Deve ser como andar de bicicleta, parece que é uma merda que um tipo nunca esquece, mas que se estiver uns tempos sem fazer não se livra de marrar com os cornos no chão umas quantas vezes e de passar umas vergonhas antes de dominar o velocípede de novo, enfim… uma complicação.
Tenho pensado bastante no motivo que me leva a estar há tanto tempo sem gaja; tenho pensado longa e profundamente em quais são os motivos que me levam a rejeitar a ideia de ter uma relação com uma mulher (sim, porque quanto a homens estou bem esclarecido; podem ser gajos porreiros, bonitos mesmo, mas já me custa muito cagar, quanto mais ainda andar a meter coisas pelo cú acima).
Porquê esta rejeição da ideia de uma relação duradoura com alguém? Porquê esta rejeição da convivência com uma mulher (porque ouvi dizer que conviver com mais que uma não é socialmente bem aceite… e até percebo porquê, só o trabalho que deve dar aturar uma…)? Porque é que me acontece com frequência olhar para uma mulher, concluir que ela é de facto uma criatura divinal, linda de morrer, com um corpo perfeito, etc.; e depois começar a pensar no trabalho (sim, que não é só timidez… é preguiça!) que dá a ir conversar com ela, convidar para um café (ou para qualquer outra merda semelhante), arriscar encontrar uma parola, uma acéfala, uma convencida… ou fazer figura de urso, blá, blá, blá... E para quê? Para conseguir levá-la para a cama (ou qualquer outro local onde dê para foder)? Para quê? Depois um dos dois vai começar a pensar que deve alguma coisa ao outro (ou que o outro lhe deve alguma coisa) por ter acontecido “o amor”, e começam as complicações.
Não, não gosto da forma como os seres humanos gerem esta coisa das relações afectivas interpessoais para além da amizade e isso tem-me levado pura e simplesmente a rejeitar esse tipo de relacionamento com quem quer que seja. Depois penso de forma mais simples: Então eu que não tenho lugar na minha vida para um cão nem para um gato nem para um canário nem um peixe; eu que nem sequer tenho uma planta… vou agora arranjar uma gaja lá para casa? Nah! Não faz sentido; e eu gosto muito que as coisas façam sentido.
Também tenho vergonha de ser normal e é por isso que não arranjo gaja. Não consigo encontrar em mim nada que seja minimamente atraente para uma gaja. Não consigo encontrar em mim nada que possa considerar como atraente, nem física nem intelectualmente. Sou um gajo normal; tão normal que quase nem existo. Não sou particularmente brilhante nem me destaco de ninguém em nada do que faço e não é por ser o que (e como) sou (e não é de certeza pela minha “personalidade cativante”) que gaja nenhuma se vai interessar por mim. Talvez esteja a dizer isto porque nesta fase não tenho tido tempo quase nenhum para mim e esteja a descer ao inferno da minha incapacidade para existir de uma forma aceitável. E talvez isto seja mesmo eu - o descomunal monte de merda que pensou nisto.
Já tentei viver e comportar-me como um porco lúbrico; disse de mim para mim: Solta o talhante que há em ti! Uma gaja não é mais que um pedaço de carne pendurada num matadouro da qual aprecias as formas, a qualidade da carne, avalias a vontade que te dá de a comer, isto tudo antes de fazeres o esforço de pagar (sim, porque por muito que um gajo não se dê conta, paga sempre; pode ser mais ou menos consciente, pode custar muito ou pouco... mas paga) para comer aquilo. E se te babas da primeira vez que olhas para a carcaça podes até chamar-lhe “amor á primeira vista” (ou uma “rebarba” monumental), o resto é secundário. Se a gaja é inteligente ou uma burra de merda, se a gaja é divertida ou uma entronhada de merda, se a gaja é um doce de criatura ou uma cabra de merda, no fim de contas o que é que isso interessa? É carne para foder e é… Não é que isto não fizesse sentido (fazia e muito), mas nem assim consegui; acho que não tenho espaço na minha existência para mais ninguém além de mim. Dou-me demasiado trabalho e canso-me demasiado comigo para ter energia, tempo, dedicação, atenção, carinho, afecto,… por mais alguém para além de mim; e nem assim consigo gostar muito de mim.
E isso é mais outra coisa que me fode a cabeça; se eu não consigo gostar de mim, se não me acho grande coisa como pessoa (eu, que me conheço melhor que qualquer outro ser humano), como é que pode existir alguém neste planeta que goste mais de mim que eu, ou pelo menos o suficiente para suportar conviver comigo de livre vontade, sem constrangimentos ou por qualquer tipo de obrigação? E como a imagem que tenho de uma “ralação” é a de um gajo amarrado a um poste, a ser chicoteado e retalhado enquanto lhe arde uma fogueira debaixo dos pés (dito assim até parece agradável), tento evitar que isso aconteça. Não é que eu não seja simpático para as fêmeas ou nada disso, é só que tenho pavor a relações e isso percebe-se e as gajas retraem-se e eu agradeço.
Se vivesse numa gruta era um eremita, assim não sei mesmo o que me chamar. Não é bem misantropo, porque embora a espécie humana me enoje bastante, não é o suficiente para evitar por completo o contacto com outros seres humanos. E também, eu gosto de algumas pessoas, mas acho que gosto delas pelo intelecto, pelo exemplo que são para mim, pela atitude, enfim, por serem quem são e por me atraírem. E algumas dessas pessoas até são gajas, mas não há nada de sexual nessa atracção, é apenas gostar de absorver conhecimento, de partilhar experiências diferentes, gostar de me divertir a conversar, de fazer coisas diferentes, de comunicar e interagir sem qualquer plano físico envolvido na coisa. E isso leva-me a não querer ter relações afectivas para além da amizade. Por exemplo, estes gajos aqui na oficina até são uns gajos porreiros mas não me juntava com nenhum deles (e o facto de me servir do calendário da Miss Tremoços ’75 para abrilhantar as minhas sessões de “bilhar de bolso” não quer dizer nada). Tá bem que são gajos e eu não gosto de cagar para dentro, mas mesmo que fossem gajas isso não iria fazer diferença nenhuma, a convivência mata a relação, mata o “amor”; se vives com uma pessoa todos os dias, vai chegar uma altura em que deixas de evoluir, deixas de ter algo para dar, porque já deste tudo e vais também chegar á conclusão que, por muito atraente e interessante que ela seja, já não há ali mais nada para ti e (à força de nos martelarem a cabeça com esta ideia de relações duradouras, de compromissos vitalícios) depois vem a tortura de arranjar uma boa desculpa para a separação e isso normalmente é algo que vai magoar um dos dois (ou os dois) e eu para me magoar prefiro dar um pontapé numa pedra ou uma martelada numa unha.
Sexo... bem, parece que até é bom e tal… ainda experimentei uma vez ou duas, mas aquilo não é para mim; ou sou um porco egoísta que não pensa em mais nada senão no próprio prazer ou sou o gajo frustrado que tenta mas não consegue dar prazer á parceira; pode ter corrido bem uma vez por outra mas foi pura obra do acaso (tipo roleta russa) e na análise estatística da coisa não vale os inúmeros desgostos e frustrações para uma vez ou duas na vida em que pode até ser essa coisa agradável. A atitude honesta seria pagar a alguém profissional para me prestarem o serviço, mas a ideia repugna-me - recuso-me a pagar por uma coisa que deveria ser consensual e não comercial. Não condeno ninguém por escolher a profissão que quiser, não condeno ninguém por pagar pelo que quiser, mas não sou cliente desse tipo de serviços e não preciso assim tanto de contacto físico com outros seres humanos; para isso ia aprender danças de salão.
Agora, ando é farto de aturar as bocas destes cabrões, mas quanto a isso não há nada a fazer; também não vou arranjar aí uma badalhoca qualquer num canto só para aparecer aqui com ela para lhes calar a boca.

Alcino Lopes

Devia haver formação e campanhas para acabar com a segunda feira (ao menos hoje não comecei com caralhadas; não é que não me apeteça, mas fiz um esforço…); não o dia, mas o conceito. O conceito de segunda feira é deprimente e estraga um dia de trabalho inteiro. É esta a minha mensagem para o país, para aumentar a produtividade em 20%; acabem com a ideia de 2ª feira, tornem este dia de merda num dia atraente para trabalhar! Se isso implica obrigar toda a gente a tomar Prozac ao pequeno-almoço de 2ª feira então faça-se uma lei para isso! Hei, o investimento compensa! Pensem bem, Prozac em vez de café... ou Prozac e café; porque não? Energia e alegria em vez de um dia de merda, com gente rabugenta, mal-encarada, que se chateia pelos dois motivos mais óbvios (por tudo e por nada).
Porque é que se criou a imagem de 2ª feira como o inferno do trabalhador? Continuo a dizer, não é o dia, é o conceito!
Em alternativa acabem com essa regra de que andar bêbado (e, por conseguinte, trabalhar bêbado) é uma atitude socialmente reprovável; já que um gajo tem uma produtividade de merda e tem… ao menos que se possa trabalhar mal por um motivo decente. Porque para um gajo conseguir suportar certas coisas (bem... é mais certas pessoas) devia ser permitido poder-se trabalhar completamente embriagado; também não vejo outra forma de suportar certas atitudes, certas pessoas, de conseguir desempenhar certas tarefas. Ainda vou tentando esquecer as violências da semana (das semanas, dos meses) com uns copos à sexta e sábado à noite... bem... é mais andar perdido de bêbado durante dois dias, mas chega a domingo e lá tenho de parar com aquilo porque depois é segunda-feira e tenho de trabalhar outra vez e trabalhar de ressaca não ajuda nada o desempenho profissional das funções que me foram confiadas (não que isso me importe muito).
Não aprendo, é o que é; trabalhei quase 8 anos com um bêbado e nunca vi o gajo ter uma ressaca (e o tipo estava bêbado todos os dias... todo o dia). O gajo seguia religiosamente o lema “evite a ressaca, mantenha-se bêbado” e funcionava na perfeição para ele; só fazia merda no trabalho, mas era feliz... pelo menos parecia ser bem mais feliz que eu. Um gajo é que não se convence que não faz diferença nenhuma andar bêbado ou sóbrio e, quando chega a segunda feira, deixa de beber para... bom... não percebo bem para quê, senão para depois levar com um banho de realidade que só dá vontade de virar costas e ir beber uns copos valentes.
Ao menos aqui na oficina essa merda não faz diferença nenhuma, estes gajos trabalham de qualquer maneira; heranças do velho Manel... sempre todo fodido aquele cabrão. Também, que diferença faz isso? Os carros andam na mesma; e se faltar alguma peça e se o carro se foder todo porque alguém se esqueceu de apertar um parafuso ou se esqueceu que um motor tem de ter uma cambota (o que quer que essa merda seja) lá está a oficina para resolver o problema e lá está dinheiro a entrar para pagar as despesas deste antro (que não são poucas, eu bem vejo) e os vícios desta cambada de ineptos que andam aqui a fingir que arranjam carros.
Ainda haveria uma terceira solução: um gajo poder trabalhar de metralhadora (ou caçadeira de canos serrados, ou bazuka, ou...). Isso é que era, resolviam-se uma carrada de problemas e acabava-se com uma carrada ainda maior de filhos da puta que só servem para moer os cornos a um gajo. O gajo está-te a moer a paciência? TRÁS! Tiro no meio dos cornos do gajo e depois o INEM (ou o cangalheiro) que resolva o resto. Mas parece que é ilegal o porte de armas de calibre de guerra ou de armas de caça para outros fins que não a guerra ou a caça. Hei! Solução! Genial! Bastaria um gajo dizer que é a guerra á evasão fiscal, á quebra de receitas do estado, é a caça aos vigaristas que fogem aos impostos; lá está - guerra, caça, armas de fogo... Haverá sempre quem diga que essa vulgarização do uso de armas de fogo potenciará que se verifiquem situações de abuso mas também não é nada que não se resolva com um tiro nos cornos do gajo que diga isso.

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