Telefonia

"Quand j'étais gosse, haut comme trois pommes,
J'parlais bien fort pour être un homme
J'disais, JE SAIS, JE SAIS, JE SAIS, JE SAIS
C'était l'début, c'était l'printemps
Mais quand j'ai eu mes 18 ans
J'ai dit, JE SAIS, ça y est, cette fois JE SAIS
Et aujourd'hui, les jours où je m'retourne
J'regarde la terre où j'ai quand même fait les 100 pas
Et je n'sais toujours pas comment elle tourne !
Vers 25 ans, j'savais tout : l'amour, les roses, la vie, les sous
Tiens oui l'amour ! J'en avais fait tout le tour !
Et malheureusement, comme les copains, j'avais pas mangé tout mon pain :
Au milieu de ma vie, j'ai encore appris.
C'que j'ai appris, ça tient en trois, quatre mots :
Le jour où quelqu'un vous aime, il fait très beau,
j'peux pas mieux dire, il fait très beau !
C'est encore ce qui m'étonne dans la vie,
Moi qui suis à l'automne de ma vie
On oublie tant de soirs de tristesse
Mais jamais un matin de tendresse !
Toute ma jeunesse, j'ai voulu dire JE SAIS
Seulement, plus je cherchais, et puis moins j' savais
Il y a 60 coups qui ont sonné à l'horloge
Je suis encore à ma fenêtre, je regarde, et j'm'interroge ?
Maintenant JE SAIS, JE SAIS QU'ON NE SAIT JAMAIS !
La vie, l'amour, l'argent, les amis et les roses
On ne sait jamais le bruit ni la couleur des choses

C'est tout c'que j'sais ! Mais ça, j'le SAIS!..."

Alcino Lopes

Mais um S. João, mais um bubadeirão (esta foi para rimar), um gajo não pode ir ao norte, onde quer que entra está de copo (ou garrafa) na mão. Voltei a consumir essa grande instituição nacional que é a "mine" (aquela garrafa pequenininha), sinais de fraqueza…
Esta coisa de palavras acabadas em “inho” mete-me nojo, cada vez que me chamavam Alcininho sentia-me diminuído na minha masculinidade, até que peguei na lupa e procurei por ela (a masculinidade) e, verificando que era mesmo pequenininha, deixei-me de coisas. Entretanto os anos passaram e cresci um bocado (nomeadamente para a frente e para os lados) e, embora ainda haja partes da minha anatomia que não acompanharam esse ritmo de crescimento, as pessoas lá deixaram de me chamar Alcininho (a não ser duas ou três fêmeas que tiveram conhecimento carnal da "borbulha" – que por acaso é a minha alcunha em certos círculos femininos mais restritos).
Mas também não é problema, compenso bem essa merda ao balcão do serviço, aí fodo toda a gente que me aparece pela frente (gajas, gajos, novos, velhos, brancos ou de qualquer outra cor, não sou um gajo que discrimine).
Entretanto o Tó Manel lá me lixou, andei eu estes anos todos a tentar não ser como todos os meus colegas e lá acabo como eles também. O Sr. Manel lá se fodeu. Enganou-me bem o gajo, eu a pensar que ele era um homem todo “Deus Pátria e Família” e afinal era um devasso do caralho que torrava o dinheiro que tinha em copos e nas putas da Madame Filipa, aposto que não disseram nada disso no funeral e que a patroa deve andar aí a dizer que o gajo era um santo e que nunca lhe faltou com nada e o resto das merdas que se diz de qualquer gajo que já quinou. O Tó Manel é que tem razão, esta merda de céu e inferno não faz mesmo sentido nenhum, porque um gajo pode ser em vida o maior filho da puta mas quando morre é sempre mais santo que o Ghandi (que podia ser um gajo porreiro mas não era católico…). Nunca percebi essa merda, afinal quem são os gajos que vão parar ao inferno? Cá para mim o Hitler está lá a sentir-se muito sozinho… É por essas e muitas parecidas que as noções de alma e vida para além da morte (pilares principais de qualquer religião) são teorias (porque disso não passam) estúpidas e, mais que isso, completamente desprovidas de prova científica da sua existência.
Mas ia eu a dizer que o Tó Manel lá me cravou para tratar da papelada da oficina. Eu bem lhe tentei dizer que tenho regime de exclusividade com o estado e não posso fazer essas merdas (já para não falar que já esqueci a maior parte do que aprendi de contabilidade), mas o gajo lá veio com o choradinho (mais um “inho”, esta merda hoje não me larga, foda-se!!!) que o Manel tinha deixado a papelada numa confusão do caralho, e que o gajo não tinha tempo para fazer tudo, que se eu não percebia daquilo quem é que ia perceber e mais não sei o quê e lá disse que sim ao gajo.
Está ali um bom broche para resolver, quando vi os caixotes de papelada até tive de me sentar para não cair para o lado. Agora estou para ver se o gajo me continua a apresentar a conta quando lá for com o carro.
Ah, e o gajo que não pense que aquela merda é de borla, porque eu nem para o estado trabalho de borla. Bom, deixa-me ir ver se compro uns livros de contabilidade para ver se me lembro o que raio é o débito e o crédito e o que caralho é um balancete. Aproveito e passo na sex shop que já rebentei com a Melanie -“ânus vibrante, vagina palpitante” – era o que dizia na embalagem mas aquilo comia pilhas e nem se mexia, não durou uma semana, vou reclamar daquela merda…

Telefonia

"Oh Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz ?
My friends all drive Porsches, I must make amends.
Worked hard all my lifetime, no help from my friends,
So Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz ?

Oh Lord, won’t you buy me a color TV ?
Dialing For Dollars is trying to find me.
I wait for delivery each day until three,
So oh Lord, won’t you buy me a color TV ?

Oh Lord, won’t you buy me a night on the town ?
I’m counting on you, Lord, please don’t let me down.
Prove that you love me and buy the next round,
Oh Lord, won’t you buy me a night on the town ?
..."

Ibeson Gudiear

Eu nem queria acreditá no terefonema... Seu Máneu morrê, assim dessi jeito é tão triste, eu até goistava do homi pá chúchú. Mi punha trabalhando como um iscravo, mas goistava di mim como um filho. Eh pá é melhó não falá nisso ainda vai vê o homi foi padêro lá pó Brásiu e eu sô filho do homi. Dêxa batê na madêra treis vezi.
Quando recebi o telefonema fique pasmado, o homi até tava ficando mió, ao que sei o tratamento era duro, mas notavam-se meiória, pelo meinos não tinha o negócio tão inchado. Mas porqui é qui ele decidiu fugi do hóspitá durante a noite e enfiar-se dentro da carreta duis morto? Devia tá pensando que aqueli negócio às 5h da manhã era a carrinha do padêro. Quis fugí aos tratamento dánoi-si.
Vou senti saudádi do velho, daqueli jeito rezinga, dormindo ali no escritório e deli mi atirá o desperdício na cara.Oh Tó, a cambota da Bedford do Zé Peixeiro já pronta onde ocê qué qui boti essi negócio?

Telefonia

...it's up to me now, turn on the bright lights.

Tó Manel

Ando preocupado com a perda do meu sentido de humor. Achava que era uma das coisas que me definia e preocupa-me poder estar a tornar-me numa pessoa amarga, que não esboça um sorriso, que se irrita por uma merda qualquer e que tudo lhe faz confusão. Que por não saber ser feliz (para mim isto é a mesma merda que ter sentido de humor) há-de foder o juízo a toda a gente à volta dela até estarem todos tão miseráveis como ela. Acho que os meus pensamentos andam demasiado fodidos, espero conseguir manter pelo menos o sarcasmo e a ironia, que são sempre úteis nestes casos. E sentido de humor é uma cena que não pode faltar agora, o Manel ainda deu um ar da sua graça, mas ar é coisa que o cabrão do velho não tem na graça, parece que desta é que morreu mesmo.
Acho que um gajo não deve deixar de se rir com esta merda, porque tudo isto, a vida, a morte, o que andamos praqui a fazer é tão absurdo que só levando a vida na desportiva é que um gajo se safa. E do Manel, ia-se safando tudo menos o caralho, precisamente. E lá desporto fazia ele, não havia miúda da casa da Filipa (miúda... bem... hoje aos 40 ainda há gajas que acham que estão na flor da idade ou o caralho, ainda por cima se apanham um puto como eu...) que ele não visse se estava apta para satisfazer todas as fantasias que a mulher dele até satisfazia, e que ele não quis por ela se ter transformado naquele monte de banhas. Agora fodeu-se à grande, e acabou. É uma cena do caralho isto, pensar que a oficina era o Manel, que sem ele nada desta merda ia fazer sentido. Mas faz, continua tudo na mesma, o mundo pula e avança e o caralho. Azar o do velho. Mas azar? Um gajo depois de morrer não tem azar, acabou, não está contente, mas também não está triste, não curte mas também não sofre. Tenho uma atitude marada para a morte, para a doença é mais ou menos a mesma merda, pareço um filho da puta insensível. Quer dizer, para os outros pareço insensível, isso não quer dizer que ignore a cena. Acho que a lamechice, e os lutos e essas cenas não fazem muito sentido, a preocupação, o ir ao cemitério. Segue em frente, man.
Agora, prefiro pensar e tirar conclusões sensatas das merdas do que entrar em histerias. OK, o pessoal morre, é fodido não voltar a estar com eles, mas tudo bem. O gajo vai fazer tijolo e vai, nem a cena dos cemitérios. Porque acho que quando o gajo morre, morreu, não é por ir ao sítio onde as minhocas o estão a transformar em estrume que penso mais ou menos na pessoa. O que fica é o resto, o que se aprendeu, as memórias, os exemplos que se devem seguir. E o Manel ensinou-me bué do que sei, não só de automóveis mas de uma série de outras merdas bem mais importantes. Outra merda que não curto nesta alturas é o pessoal depois de morrer passar a ser um santo do caralho. Era um bom marido, um amigo… era um filho da puta às vezes, estava-se a cagar prá mulher, andava nas putas, sei lá mais o quê. O problema é que, para a sociedade, todos temos que ser perfeitos, e não somos, nem lá perto. Então só se guarda o que interessa aos outros nestes casos. Que se foda isso, somos pessoas, com falhas, e isso é importante mesmo depois de lerparmos. Para a Humanidade, ficou a respeitável oficina de mecânica.
Por falar em oficina, está mais que visto quem é que vai ter que tomar conta disto. O brazuca está bem no meio dos khmer, a miss bikini pequenino à bolinhas amarelas vai ter que ajudar a gerir esta merda, mais não seja para ver a quantas andamos, já que dela não se vê grande coisa na foto (nos anos 70, quando o Manel andava a comer a mãe dela no avançado na Costa tinha sido um escândalo). Bem vais ter que aguentar com marcadorzinho vermelho nos dias de pagar as contas, love. E por falar em contas, o Alcino é que é gajo para me ajudar, contas pra fazer é coisa que não lhe falta lá na repartição. E com estas viagens ao Alaska e o caralho, espírito de sacrifício e vontade de se sujar um bocado não lhe hão-de faltar também. Cair num buraco por cair, mais vale este do que um fenda no gelo no meio de um glaciar a que não vês o fundo.

De início vai ser assim, a seguir é ver se consigo pôr a parte das reparações a trabalhar sozinha, e ficar eu com a gestão. Basicamente fazer a vida do Manel – com menos putas e mais Rock N’ Roll.

Alcino Lopes

Nunca estive á vontade naquela montanha. Mas também quem me mandou meter-me numa merda daquelas.
Disse a toda a gente que ia para a praia ver gajas e beber cerveja e depois ponho-me a arriscar o pelo só porque é a única coisa que me faz sentir vivo de vez em quando.
Quando me perguntam o que faço nos tempos livres digo que trabalho num bar, que sou artista da arte do transformismo. É mais fácil, assim quem pergunta enoja-se e não pergunta mais nada. Não percebo porque é que faz confusão ás pessoas um gajo gostar de subir montanhas, ou vestir roupa de gaja, ou qualquer outra porcaria? Porque é que faz confusão ás pessoas um gajo gostar (e dizer que gosta) do que quer que seja, implique risco ou não? Basta que seja diferente e lá vem o "tu é que és maluco", ou o "panasca de merda", ou o "qualquer dia ainda te aleijas a sério", ou qualquer outro comentário imbecil de quem não compreende nem quer compreender que alguém expresse a sua individualidade a fazer algo que lhe dá prazer, seja a subir uma montanha, seja a pintar um quadro, seja com um corte de cabelo ou a vestir roupas diferentes, a ouvir música, o que seja.
Acho que me custou mais a explicar, a toda a gente a quem não menti, o que ia fazer do que efectivamente a fazê-lo.
Desde que o avião nos deixou no glaciar percebi que me tinha metido numa coisa para a qual não estava minimamente preparado, mas também acho que nada do que alguma vez tivesse visto ou feito me iria preparar para aquela montanha.
Estou para aqui a descrever aquela merda como se tivesse dobrado o Cabo das Tormentas e afinal correu tudo bem e ninguém se aleijou. Bem... quase, mas já conto.
Eu não estava preparado para ver uma fenda no gelo com espaço para engolir um autocarro e da qual não se vê o fundo, e foi isto o primeiro dia de caminhada. Não estava preparado para aclimatar mal á altitude e ser incapaz de dar dois passos sem parar para respirar. Não estava preparado para estar a quatro mil e tal metros de altitude e ter perto de quarenta graus positivos de temperatura dentro da tenda de dia e vinte e cinco graus negativos durante a noite. Não estava preparado para puxar uma porcaria de um trenó que tinha vida própria e opinião própria sobre o caminho a seguir.
Á distancia de alguns dias de reflexão acho que o que me fez desistir de tentar subir ao cume daquela montanha aos quatro mil e trezentos metros de altitude (quando ainda faltavam mais mil e novecentos metros verticais para subir) foi o facto de me ter assustado com a montanha em si (agorafobia?) e ter andado o tempo todo a tentar não me matar ali.
Meti na cabeça que para sobreviver nada podia correr mal, não podia faltar comida, o tempo tinha de estar calmo, o equipamento tinha de funcionar na perfeição. E isso não foi bem assim, a comida que escolhemos era um bocado intragável (esparguete com atum nunca mais na puta da vida, aliás, nem esparguete nem atum com merda nenhuma), o trenó era incontrolável (virava-se ao menor ressalto na neve, saía constantemente do trilho, estava mal encordado á mochila e ficava muito mais difícil de arrastar... parecia um burro teimoso), o combustível entupia constantemente os fogões, tínhamos isqueiros a menos, o telefone satélite que um dos gajos do grupo levou (um tijolo - literalmente - grande e inútil) nunca funcionou, nem nas cidades, as botas estavam sempre húmidas com suor e eram demasiado frias, levei toalhetes a menos e a higiene ficou um pouco limitada… é escolher.
Chegou a um momento em que não aguentei e aquilo tudo foi demais para mim, não estava preparado, a comida não entrava, tinha sempre demasiado frio ou demasiado calor, estava farto de desmontar o fogão para limpar, tinha o nariz em ferida de tanto limpar o ranho que pingava constantemente, já não conseguia suportar o cheiro a sovaco, peido, pés e colhão que saía de mim, a dieta de merda começou a provocar-me diarreia, não conseguia beber o suficiente para repor líquidos, não conseguia secar as botas, os óculos magoavam-me o nariz, queria uma coca-cola, comida que não me provocasse vómitos... E no campo 4 a 4.300 metros de altitude tomei a decisão de não subir mais e esperar ali que o resto do grupo tentasse ter uma aberta no tempo para tentar ir ao cume. Esqueci-me que ali vigora a lei do “desenrasca” do “aguenta…não chora!” e que por uma merda de nada correr mal o mundo não vai acabar e não vamos morrer todos, agora vejo que desisti cedo demais e que foi uma atitude de puto mimado. E eu que julgava que era melhor que isso.
Eles ainda tentaram, tínhamos um boletim meteorológico que dava uns dias com vento razoável na parte mais alta da montanha antes de entrar uma tempestade grande, quando soubemos disso eles fizeram rapidamente um depósito de comida perto do local do campo 5 (a zona de acampamento mais alta da montanha, a última antes do cume) e subiram dois dias depois para tentar a sorte. Tiveram azar, o vento nunca amainou o suficiente e o mau tempo entrou um pouco antes do previsto e tiveram de descer para o campo 4 no meio da tempestade. Depois foi arrumar a tralha e o plano era descer de uma tirada até ao acampamento base, durante o dia até ao campo 1, descansar aí um bocado e atravessar o glaciar durante a "noite" (naquela latitude e na altura do ano que foi, nunca fica realmente de noite) para termos as pontes de neve mais estáveis por cima das fendas no gelo e isso tinha sido tudo muito bonito não fosse cerca das 10 da noite um dos gajos ter tido um pequeno "episódio" de pedra nos rins e ter desatado a cagar “de jacto”, a vomitar-se a cada passo que dava e a mijar sangue. Tivemos de contactar as equipas de resgate e o gajo lá foi evacuado de helicóptero para o hospital enquanto o enchiam de drogas (Vicodin, morfina..., cabrão cheio de sorte, quando lá voltar também vou arranjar uma merda qualquer para fingir umas dores, é que os gajos ali têm drogas de qualidade... e dão aquilo quase sem um gajo pedir…), entretanto deixou-nos todo o equipamento e o trenó dele para nós carregarmos até ao campo base (só 9km de glaciar...). No campo base estivemos umas horas á espera de avião e foi na base do desenrasca, porque estava mau tempo e ninguém queria aterrar ali (a pista estava a perder a camada de neve e começavam a aparecer fendas no gelo na zona de aterragem) mas finalmente lá nos vieram buscar.
E acabaram assim duas semanas de montanha. A barba levou uma hora a desfazer (em duas semanas aquilo cresce um bocado), o sarro acumulado levou um bom e longo banho quente a tirar (e no fim ao passar a toalha saía pele morta como se caísse depois de um "escaldão" de verão). O esforço de descer a montanha deixou-me com dores musculares durante dois dias (já estou habituado de outras asneiras que faço). Mas já estou novo e já pareço uma pessoa outra vez.
No fim (depois do banho) só pensava em voltar lá outra vez e a ideia já fermenta, daqui a um par de anos, quando juntar dinheiro de novo... com melhor equipamento, com a experiência acumulada para evitar os erros de comida e combustível e resolver as falhas do equipamento... E fiquei a pensar que, se quisesse tinha subido um bocado mais (ou tudo) daquela merda, se tivesse tido um pouco mais de força de vontade para aguentar tudo o que não correu como prevíamos e tudo o que a montanha me fez sofrer (frio, calor, falta de ar, vento, neve, gelo, desconforto...), se... Como citava o Henry Miller - "Balls" said the Queen "if I had them I'd be King".
Fiquei a conhecer mais alguns dos meus limites e fiquei bastante desiludido por ter desistido com a fasquia tão baixa. Não é bem que tenha desistido, é mais que nem cheguei bem a tentar e mais enojado comigo me fiquei a sentir. Mas sei que sou capaz de lá voltar e desta vez com a vantagem da experiência e com a vantagem de saber o que me espera e de saber que nada disso é insuperável e que sou capaz, que aquilo não é nenhum Cabo das Tormentas. E a montanha é bonita, e vai valer a pena voltar.
Estou para aqui a falar disto como se levasse esta merda a sério. E talvez leve, há quem leve o trabalho, ou a família, ou as gajas, ou o que quer que seja a sério, porque é que eu não haveria de levar a montanha a sério?
Agora há merdas que não mudam, e o caralho do monte de lata e plásticos manhosos já cá está no "dótôr" Tó Manel outra vez, saudades? Subir uma merda de um passeio mais alto e lá vai a calibragem da roda, o alinhamento da direcção e mais meia dúzia de merdas do género. Já vi que qualquer mosquito de merda me fode o carro todo, mais valia ter comprado um Chaimite usado ao exército (parece que andam a rifar aquela merda). Podia dar problemas mas não era com um passeiozinho de merda que a direcção desalinhava...
Ao menos vejo que o Sr. Manel já cá anda de novo a controlar esta escumalha, a ver se isto volta a ser uma oficina que se preze. Nunca cheguei a perceber é porque é que o homem foi malhar com os ossos no hospital? Diziam que ele andava com a gaita em chaga, que tinha apanhado qualquer coisa com uma das badalhocas da casa de putas da Madame Filipa. Mas eu não acredito, que o Sr. Manel não é desses, então com a patroa que tem em casa… ui, aquilo é mulher de pelo na venta, não ia deixar o homem andar aí nos copos e nas putas assim desgarrado. Nah! Cá para mim foi uma dessas viroses que um gajo apanha hoje em dia sem saber porquê? O importante é que ele está de volta para por ordem nesta escumalha, isso é que é importante.

Ibeson Gudiear

O pastô anda insistindo com aquele negócio à muito tempo...E eu não sei como pegá o Tó no momento certo para falá sobre o assunto. Tenho visto ele tão chateado com o trabalho e o negócio de podê ir tocá aos Estatis não tê acontecido o homi anda sobricarrêgádo. A filha do Máneu tambêm podia ajudá um pouco e não vi cá só manda opinião sobre à cô duis cortinado do escritório.
Mas tenho que falá hoje com ele, aproveitá que está debaixo do carro do Arcino, mais uma veis e puxá pelo assunto.
Mas onde é que o Arcino andou com o carro? Já tirei umas hastes de veado motô, pelo de búfalo dos banco da frenti e...Mas o que é isto uma barbatana de ôrca dentro da bageira? Raio do hôme tem que aprender que o carro não pôde ir a todo o lado.Mas vortando à vaca fria ái vai disto, Oh Tó já tenho uma proposta pá ocê, já que seu Maneu não tá cá e ocê que manda na oficina, o que ocê me diz de podermos fazê as sessões do curto aqui à noite? O sitio já tá supimpa de bom e acho que com mais uma adaptação ou outra do tipo pintá uma pomba branca com uns neões na parede do fundo, nada mais. O que te parece, pensa no negócio, sim?

Sr. Manel

O pior de tudo é o tempo que não passa.
Parece que cheguei aqui anteontem, mais velho menos velho. Não há pachorra para os gemidos. Mania de não usar câmara de ar, é no que dá. Tenho o sardão cheio de pus; sinal de vida, nem pó. Nem com o decote da enfermeira, tão perto, tão debaixo do chuveiro. Também, não admira; desde que o médico monhé me reconheceu, já sabia que a coisa ia ser feia, mas nunca pensei que pudesse ser ainda mais feia que o Corolla verde-alface que lhe vendi, como novo, depois de ter tirado dos estofos os últimos bocadinhos de cartilagem do antigo - e único - proprietário. Queria o quê? Carrinho de garagem por novecentos contos? Bem que se vingou, o filho da mãe. "O Sr. Manel é alérgico à penicilina, tenha paciência" e vai de proibir que me dêem antibióticos. Todos os dias, por volta das seis e meia, chega a enfermeira Fernanda com o martelo, aumenta o volume da rádio e, invariavelmente, "Vamos a pôr essa porcaria cá para fora, senhor Manel?" Não adianta resistir; a gaja é maior que eu - fez recruta em Tancos, onde é que este mundo vai parar - e com isto e aquilo nas mãos depressa me esgota a argumentação. "Já sabe o que acontece se não colabora! Escusa de fazer birra." Todos os dias um tormento, nem ao domingo tenho descanso. Ainda pedi à patroa que falasse com o Fernandes da farmácia, mas ela, nada. Repeti, e ela fez de conta que não ouviu. Sem parar de me fitar com aquele ar de búfalo tailandês, pegou na colher do iogurte natural "Come, Manel, come que vais ver que ficas bom num instante. Só comes porcarias e depois é no que dá". Bem me parecia que não tinha engolido a tanga da retrete da oficina. Mania das sextas à tarde. Fica-me de lição, ou por outra, não me fica coisíssima nenhuma. Neste estado bem pode a Madame trazer-me o prato mais recente da casa que há-de dar igual às paranóias mensais da patroa. Isto não é vida para ninguém. Já ando a fitar as mamas da enfermeira com menos recato que o costume. E não adianta de nada. Qualquer dia, de manhã, "O Sr. Manel passou muito mal a noite, tivemos que tomar uma resolução. Está dentro dum frasco, a sua esposa já o levou, esteja descansado." Não, não. Se se levar alguma coisa daqui, há-de ser um saco comigo dentro. Não me partem aos bocados, ou se partirem de certeza que não vão começar por aí. Mais dia, menos dia, resolvo o assunto pelas minhas mãos, de uma vez por todas. Não deve ser problema: preservativo foi coisa que nunca usei e de descendência mal parada, se a houve, tratou a Madame, que me garante conhecer um orfanato de confiança, lá para as bandas de Badajoz. Ainda para mais sem limbo nem nada, estou certinho lá em cima. A não ser que se tenham esquecido do cheque em branco depositado na ranhura do Santuário de Fátima. Está bem que a conta não tinha provisão para lá dos cinco mérreis mas sempre ouvi do senhor prior que a intenção é que conta. E há lá melhor intenção que dar tudo o que se tem?
Nem devia falar de intenções, que só me lembra o estado em que estou. E no qual não quero ficar, nem por nada deste mundo. Se não puder fornicar tudo o que me aparece à frente, nem me interessa andar aqui mais. Basta! Não vou ficar à espera do cutelo para depois nem tomates ter para fazer o que tenho a fazer. Mais a mais, a oficina está entregue. O puto dá conta daquilo. Se não der, já por lá anda o Alcino. Foi o único acidente de percurso que me quebrou a frieza habitual. Na volta, nem ele percebe porque anda tão ligado à oficina. Aliás, nunca percebi se ele percebe alguma coisa de todo. Desde que fez 12 anos, descobri que escuso de lhe fazer a mesma pergunta duas vezes: a resposta é sempre aleatória, o que torna a compreensão daquela um facto desprezível. Vantagens de ser funcionário público; dizem que o alheamento intelectual é um direito adquirido. Deve ser a isto que o Professor Cavaco chama welfare state. Aliás, quando ouvi o seu célebre discurso sobre a produtividade lembrei-me de tornar o Ibeson meu filho adoptivo. Pode parecer que não tem nada que ver, mas o truque é que ele ainda pensa que está ilegal. E vai continuar a pensar, não haja dúvida: os tipos lá da Igreja dele não são estúpidos.
A noite será boa conselheira e vai esconder o que me espera lá em baixo. A vista até nem é má aqui de cima, pode ser que me distraia com as luzinhas. Não vou perder tempo a interrogar-me se a morte dói - deixo esse legado ao Alcino - ou se fico esborrachado o suficiente para deixar de ter relações sociais para lá de uma impressão - videntes, psiquiatras, bruxas, o sr. prior, o Ibeson, ninguém sabe explicar ao certo que raio se passou para a Marilene ficar naquele estado; aliás, terá alguma vez tido outro? Nem vou tocar em nenhuma das merdas que o Tó Manel me tentava impingir, senão ainda me detenho pela visão do Presidente do Conselho, flutuando sobre a chaminé da incineradora, a recomendar o uso de um agasalho adequado. Não, não, não! Renuncio aqui e agora a um futuro que não seja uma celebração do passado que tanto prezo.
Lá vem a puta da enfermeira...
Não volto a isto nem mais um dia.

Telefonia

Things change yet so much stays the same
Life's just a dream we have of reality
Love's strength enhances what we have
and then strips us of our sanity...

It's strange, yet somehow obvious
That what we want the most we must let go
Your head is freer still than mine
And not so cluttered with morality...

Tó Manel

Já dizem os Lamb (das poucas cenas sem guitarras que um gajo ouve) "things change yet so much stays the same". As coisas encaixam e ficas na mesma. E basta uma pequena coisa, uma merdice de nada e podias dar a volta à tua vida. Mas volta sempre tudo ao mesmo, porque não controlas o que está à tua volta. E já tinha escrito (o outro)... desculpem... pensado (eu, Tó Manel) nisto antes. Há tantos milhões de pequenas merdas que influenciam quem tu és, onde estás neste preciso momento, o que fizeste e o que vais fazer, que sendo livre és constantemente prisioneiro de onde estás. Mais que isso, és prisioneiro do teu corpo, deste planeta, do que for. Nunca podes ser tão livre como quando pensas nas cenas, mas mesmo aí tens todo um esquema dentro do qual tens que pensar. Mas não era sobre isto que queria pensar hoje. Estava decidido a cagar para isto tudo, estava mesmo, uma pequena cena, uma resposta que não veio a tempo e pronto. Tudo ficou na mesma... acho eu. Por isto é que acho que precisamos de um manager, alguém que controle as cenas por nós, os concertos, as tournées e o caralho. Porque infelizmente temos cenas para fazer, e nestas alturas complicadas em que há oportunidades, mas um gajo está cheio de trabalho, é que o Jó-Jó tinha que estar fora e não ver os nossos mails a tempo, também não quis ser uma besta e bater-me ao piso, não queria que o gajo se sentisse obrigado a nada, só dar uma pista. Mas um gajo está decidido a dar o salto e nada, foda-se. Será que havia mesmo oportunidade de fazer os concertos no States? Era uma cena do caralho. Agora estou outra vez enterrado até aos tomates em trabalho na oficina, não sei se dá, se vamos ter outra oportunidade. Foda-se, tinha sido desta, e não sei se vamos conseguir ter as cenas tão alinhadas outra vez. Pode ser que tenha outra oportunidade, devo ver o gajo no Super Bock, vamos lá ver.
Isto põe-me a pensar, é fodido um gajo não acreditar em dEUS e nessas merdas. Porque torna a tua vida muito mais difícil, não acreditares que viemos todos do mesmo sítio, e que vamos todos para o mesmo sítio. Quer dizer, até viemos e vamos para o mesmo - nada. Nestas altura difíceis é que temos a tendência para precisar de uma coisa fácil a que nos agarrarmos, sofrer porque fizemos merda, ou passar por merdas para outros fins, escrever direito por linhas tortas e o raio que o parta. O caralho, estás sozinho e acabou. Por uma puta de uma cena num culhão estamos aqui, neste planeta, a pensar, a viver neste mundo, a fazer merdas que quando morreres acabaram. E daqui a uns milhões de anos, quando esta merda estoirar toda, nunca ninguém nem nada em sítio nenhum do universo vai saber que alguma vez existimos, o que é que andámos a fazer, se acabaste o filho da puta do carro daquele cabrão no dia que ele queria ou não. Isso obriga-te a pôr as cenas em perspectiva. Então porque é que não te estás a cagar e não és um filho da puta pra toda a gente? Bem, não é preciso ser bué inteligente pra perceber que se não andares sempre a foder toda a gente, é menos provável que te andem sempre a foder a ti. Agora, descobrir porque é que a puta da tua cabeça te impede de fazer as merdas que te apetece mesmo fazer...

Telefonia

Do you realize? That you have the most beautiful face...
Do you realize? We're floating in space
Do you realize? That happiness makes you cry
Do you realize? That everyone you know one day will die...

...and instead of saying all of your goodbies
let them know you realize that life goes fast,
it's hard to make the good things last.
Realize the sun doesn't go down,
it's just an illusion caused by the world spinning round.

Do you realize?

Marilene: a menina do calendário

Ai, meu querido Santo António, que sonho que tive! Parece que estive a dormir mais de um mês e só comboios e mais comboios, de um lado para o outro... Deve ser um prenúncio, quase de certeza! Hummm... Pelo andar da carruagem... Ah! Mas que dia bonito, o de hoje! Vê lá o que me preparas, meu Santo Antoninho! A minha hora de sair desta maldita parede já passou há muito! E já que o Tózinho não me liga, vê lá o que é que me arranjas!!! Eu gosto muito do Ibeson, mas não sou rapariga de ouvir poesia! Se não, não estava aqui e estava pendurada na biblioteca de Almada! Já, o Alfredo... É mais o meu estilo. Corpo musculado, bonito, com todas aquelas pinturas... isso é que é arte! Ai ai...

Telefonia

Chemicals,
Don't strangle my pen,
Chemicals,
Don't make me sick again,
I'm always so dubious of your intent,
Like I can't afford to replace,
What you've spent,
Come on, chemicals!
Come on, chemicals!
Come on, chemicals! (...)

Telefonia

We are the fossils, the relics of our time.
We mutilate the meanings so they're easy to deny...

Tó Manel

Isto de andar a correr há umas semanas anda-me a foder. Venham-me dizer que não ando o mesmo, andar? Quem me dera andar, caralho. Andar daqui pra fora. No sentido lato da coisa.
Estava noutro dia a falar com os cotas sobre a vida de merda que as pessoas levam hoje em dia. Cada vez temos mais máquinas para fazer o nosso trabalho, temos computadores, temos as merdas organizadas e… cada vez estamos mais fodidos. Eu que sempre fui contra estas merdas, que sempre achei que nos cabe a nós traçar limites… A falta do Manel, e não haver rigorosamente mais ninguém que possa fazer o meu trabalho, ou que oriente o brazuca, que não faz mais nada senão andar praí a sonhar acordado, anda-me a foder completamente. Não tenho horas livres, não tenho fins-de-semana tranquilos, os clientes a telefonar a massacrar quando um gajo tenta descansar um bocado. Não está nada fácil, e é fodido lidar com esta pressão. Porque há sempre mais gente a controlar do que gente a fazer as coisas. E infelizmente, ou um gajo faz tudo, ou já sabe que vai perder ainda mais tempo a desfazer a merda dos outros. EU NÃO AGUENTO! Podia cagar, mas e depois, um gajo vai viver de quê? E se um gajo não arranja mais nada e tem que voltar à estaca zero? Um gajo que tenta sempre levar as merdas dentro do razoável, e tem consciência destas merdas. Quando é assim e as coisas fogem do controlo é um sinal que estamos mesmo mal. E queres fugir mas a puta da sociedade tem tudo controlado, para fugires a esta merda não podes fugir desta merda antes. E assim continuas.
Voltando à cena da tecnologia, hoje temos merdas pra fazer tudo, mas andamos cada vez mais a correr porque as pessoas são estúpidas. Principalmente aqueles que, como não fazem realmente nada de útil, fodem a cabeça a quem tenta fazer. Cada vez menos esta escumalha se convence que as merdas demoram tempo, que para as coisas ficarem bem feitas precisas de pessoas competentes. Esta merda leva ainda mais tempo, não sai barato. Mas não, querem tudo. Querem as merdas baratas, querem as merdas depressa, querem as merdas já. E como a única cena com que se preocupam é com isso, esquecem que quem anda mesmo a foder o couro para fazer as cenas é de carne e osso, tem limites, não aguenta esta merda. As merdas até se vão fazendo, cansam, não percebem que o massacre constante não ajuda em rigorosamente nada. Não vão ficar com as merdas mais bem feitas, nem mais depressa, só vão foder ainda mais a cabeça a um gajo.
E enquanto esta pressão te vai fodendo a cabeça, por muito imune à cena que um gajo seja, há um mundo cá fora, à espera que continues da mesma maneira, à espera das mesmas merdas, da mesma paciência. Que faças o caralho que o foda, quando já não aguentas nem mais um segundo de obrigações. Quando queres paz, fazer as tuas merdas… não fazer nada, aliás, chegar a casa, esticar-te no sofá e vegetar, babares-te até mais um dia do mesmo. Mas não podes, tens a banda a dizer que temos que ensaiar, que precisamos de músicas novas prá maquete, tens os cotas a querer que os ajudes a preencher a merda do IRS, que vás ver da prenda pró casamento da tia não sei quê, tens o filho da puta do mundo todo a cair-te em cima. Não consegues dormir, sentes a cabeça como se tivesse um torno a apertar dos lados, não consegues relaxar num bocadinho que te sentas, sentes o corpo com dores, mas dormente, estás um zombie. Ires a grupos de terapia é do caralho se tiveres tempo para isso, e de qualquer maneira não ia ser no filho da puta do Brad Pitt que te ias transformar se te passasses. “I’m pretty fucking far from OK, man”. E o mundo não tenta entender isso. Continua à espera de um gajo normal e razoável. Um gajo que não se passe à mínima merda. E o filho da puta do braço continua a doer e sei que não está grande coisa. Quase desejo ter que ser operado a esta merda, ia ter algum descanso da oficina. Nem tempo para escrever... aliás, pensar tenho tido. E preciso tanto de pensar para aliviar esta merda toda, ando em overdrive e já não me apercebo de nada.
Enquanto a dor não vem não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Vejo uma luz ao fundo do túnel, e pode ser a oportunidade de mudar esta merda toda. Nunca o fiz, quando claramente o podia ter feito. Falo nisso, penso nisso, mas chega à hora e nunca sou capaz de pôr tudo em prática. Será que as pessoas pensam que sou mais um hipócrita? Se há merda que tento é dizer sempre a verdade, e tenho sempre essa merda na consciência quando digo as coisas. Mas tomates… o grande problema é ter coragem para dizer a verdade, para fazer uma revolução, para andar com as merdas para outro caminho, quando vês que este não leva a lado nenhum. Pode ser o empurrão que um gajo estava à espera. A sociedade ajudar-te, com esta pressão insuportável, a revolucionar a cena. Vou lançar os dados prá cena, é desta, parece-me. Espero que a falta de coragem não tenha hipotecado todas as minhas ambições. Que não tenha posto o pessoal da banda de pé atrás, que não tenha dado a impressão errada. Porque se andas a rondar a cena mas dás uma no cravo e outra na ferradura as pessoas fartam-se, pensam que és mais um, mais um hipócrita, mais um filho da puta. Mas não és, nunca tiveste foi coragem, de dizer logo que queres mesmo é andar com a banda prá frente e cagar prá oficina. Porque estas merdas têm que ser bem feitas. Não podia cagar para isto e deixar a oficina afundar-se. Entretanto a banda é só um grupo de amigos que se junta pra tocar e mais nada. Não é isso que eu quero, não estou bem aqui, mas nunca tive colhões para mudar isto. Podia tentar fazer as duas cenas a sério, mas isso não é a minha cena. Porque ia acabar por andar a enganar uns e outros. E lá se vai o discurso contra a hipocrisia, nesse caso não ia ser mais um, ia ser um dos piores. Nunca fiz a cena assim, não vou começar agora, nunca me ia perdoar, nunca ia viver bem com a consciência. Porque um gajo diz que se está a cagar, mas nunca está realmente. Agora, estou no limite, ando no red line há demasiado tempo, e o mundo anda em cima dos meus ombros, e a minha sanidade está seriamente posta em causa. E quero tanto que seja desta, espero que o pessoal não se tenha fartado das minhas cenas e tenha percebido ao longo deste tempo todo o que é que eu quero realmente. Uma coisa é certa, a partir daqui nada será como dantes… acho eu.

Telefonia

Take the national express when your lifes in a mess
It'll make you smile
All human life is here
From the feeble old dear to the screaming child
From the student who knows that to have one of those
Would be suicide
To the family man
Manhandling the pram with paternal pride
And everybody sings ba ba ba da(...)

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