Marilene: a menina do calendário

Isto é uma pouca vergonha! Esta oficina vai de mal a pior e ninguém parece importar-se, a não ser eu, claro! Ainda mal me recompus do boato que o meu querido Senhor Manel havia fugido com a Madame – isto de ouvir às paredes, tem que se lhe diga, olhem para mim, mas eu não espalho boatos, não! tudo o que ouço fica nestas folhas de papel! – bem, ainda mal me recompus, quando entra aqui a sonsa da filha daquele sacana (ah, pois! Depois do que ele fez à minha querida mãezinha – que está no Céu, nosso Senhor a guarde! foge de mim, logo agora que estava a conseguir provar que sou herdeira de metade aqui da barraca) a dizer que vai comprar um pda. Um pda?!!! Mas o que é isso? Onde é que nós já vamos, minha querida Santíssima???!!! Ai é? Pois bem, amanhã faço greve! Mas não é greve de um dia! Ah, não, não! (Cá para nós, um dia não dá para nada, passo a manhã no cabeleireiro, que isto de ser morena nunca deu e depois já não tenho tempo para mais nada...) Vou fazer greve quinze dias! Cá com a Marilene é assim! Quero ver como é que se vão orientar estes dias, sem onde riscar e apontar as horas do carro do Alcino! Ah, pois, o Senhor Alcino está aí a chegar de férias, deve vir com o carro todo roto e vai andar por aqui a cirandar... É mesmo o melhor que tenho a fazer. Só de pensar na baba a cair sobre as minhas bonitas folhas... Credo! Nem quero pensar!

Telefonia

"... can you switch that motor on for the verses and off for B okay. Okay turn it on for this. Now here we go, this'll make twenty-one please. Are we all set for that thing where everything drops out and builds up? Okay..."

Ibeson Gudiear

Vixê pô... O bicho vai pegá...


Esta coisa do nosso banhêro ser vizinho da sala de sueca do Café do Antunes deixa nóis ouví muita coisa... Quem diria? Quem diria mesmo? Ainda à um mês o home estava todo entrevado na cama com aqueli negócio todo inchado nunca pensei que que aquilo pudesse ficar assim... Parecia uma bôla de borwing debaixo dos lençóis.
Um homem casado à mais de 35 anú com dois filhú, a outra que o Tó anda papando e o Jaquinzinho que anda na Universidade cursando direito e com boa nota muito boa nota mesmo cobiçado por todos os grandes escritórios dá cidadi...
Como é que ele pode fazer isto? Como é que ele pode fugir com a Madame Filipa para as Canárias? Como é qui ele pode pensar em largar uma vidinha boa como a dele?
O pió disso tudo é que vai sê a menina dele a tomá conta da oficina e o Tó não manda nela não... Só espero que ela me deixe continuar a dormir aqui junto aos meus bidões de óleo queimado.
Por falá nisso deixa levá a minha Marilene lá pró pé de mim no meu cafufuzinho...

Telefonia

"Maravilhoso coração, maravilhoso
Tu és a chama que se aninha no meu peito
para que sempre exista amor
para leva-lo onde eu for
eu te agradeço todo o bem que me tens feito;"

Marilene: a menina do calendário

Ei! Como é que eu vim aqui parar??? Tirem-me daqui!SOCORROOO!!!!!!

Tó Manel

Fala sobre o Paulo Bento... foda-se, nem sei quem é o Paulo Bento caralho. O Mourinho ainda faço uma ideia, mais não seja porque o gajo é giro e tem bué da estilo. Agora... futebol man? Porque é que toda a gente neste país tem que gostar de futebol? É engraçado, quando um gajo conhece alguém, primeira pergunta, como é que te chamas, segunda pergunta, de que clube é que és? Chega ao extremo (agora, uma gajo que percebesse de futebol dizia já a piada, esquerdo ou direito?) de parecer que és definido por essa merda. Tens logo gajos do teu lado e contra ti. Ficam fodidos, ofendem-se, sei lá. Tenho a teoria que é impossível ter uma conversa racional sobre futebol, conheço pessoas inteligentes, calmas, que se passam a falar de futebol. Porque a verdade é que não conheço ninguém que goste realmente de futebol, alguém que fale das jogadas, das tácticas, do jogo em si. A merda que ouves é discussão pior que a dos putos, o teu clube tem sempre razão e é o maior, os outros são uma merda, ganham porque são os maiores, perdem porque foram roubados, o árbitro isto, o árbitro aquilo. Vêem os jogos do clube deles, e adoram se ganham mesmo que tenha sido um jogo de merda (seja lá o que isso for). Não há ninguém que veja o jogo pelo jogo, desinteressado pelo resultado ou que faça uma análise racional das coisas. É a merda das mentalidades que não entendem mais que o bem e o mal, o preto e o branco, estar a favor ou contra, não é diferente da política e da religião. É a merda do cinema de Hollywood dos bons contra os maus, porque a sociedade nos mantém demasiado estúpidos para entender que há bué da cinzentos entre o branco e o preto. E que qualquer um deles é uma posição porreira para um gajo, desde que argumentes racionalmente. E isto não é o pior, o pior é a maneira como a televisão e os jornais falam uma hora de futebol num filho da puta de um telejornal de hora e meia. Ninguém dá por ela, mas se não gostas é difícil não reparar. E as discussões de segunda, sobre os árbitros, de terça sobre o caralho que os foda, sei lá. Entretanto, temos governos de atrasados mentais a fazer o que lhes apetece. Pão e circo, e a gentinha está contente. Como convém manter esta merda toda assim, não faz mal se os gajos não pagam imposto, apesar de pagarem milhares a atrasados mentais que nem falar sabem, não faz mal se estão ligados a máfias, se as claques são antros para os gajos mais mitras que eu conheço, não faz mal se não pagam ordenados, se andam em negócios manhosos. Pior, se muita desta merda está nas mãos dos políticos, ou com ligações do caralho à política. Gostava de ver um partido que prometesse limpar esta merda toda a ganhar umas eleições. Não que eu gostasse de ver qualquer partido a ganhar quaisquer eleições, mas pronto. Prontos, como diria um anormal de merda de um jogador da bola qualquer, eh eh.
Curto corridas, tenho gajos que curto mais que outros, mas é um bocado indiferente se ganha o Rossi ou não, o Alonso, ou não, desde que a corrida seja nice, caguei um bocado. Não fico chateado, não falo de outras cenas que não a maneira como um gajo entrou numa curva, como ultrapassou, como a mota se portava. Será que o futebol é uma cena assim tão desinteressante que não tenha mais nada para falar além das merdas que o pessoal fala? Sim, porque é raro ouvir comentários de alguém que não é de uma equipa a uma boa jogada dessa equipa. Curto ver corridas, mesmo que não conheça os gajos, seja fórmulas, GT, turismos, motas, estrada, todo-o-terreno... o que for. Não sei de ninguém que veja futebol, mesmo quando a equipa deles não joga. Mais, imagino que quem curtisse realmente futebol curtisse ver jogos que não os portugueses, que imagino serem de merda. Também gosto de corridas, mas os campeonatos nacionais dificilmente são alguma coisa de jeito. Melhor que nada (e que futebol) são, mas...
Um dos argumentos que mais curto é quando dizem, então e a selecção? É Portugal e o caralho. Certo, e quem é que viu a selecção portuguesa no enduros dos 6 dias, no motocross das nações, as selecções de vólei, basket, esgrima, triatlo, os gajos que vão aos jogos olímpicos, e por aí fora. Estes gajos é que são heróis, andam a treinar e provavelmente a trabalhar para pagar as contas desta merda.
Nem curto futebol, nem falar dele, nem lembrar-me que existe, e há milhares de outras merdas mais importantes em que pensar, mas hoje tinha que ser, tenho esta entalada na garganta há bué da tempo. E entrar-me por aqui dentro o gajo a dizer que devíamos era ter aqui um poster do glorioso, que assim ele até trazia cá o carro a arranjar... Se o gajo decidir a vida toda dele da mesma maneira, também deve andar a foder na terceira pessoa...

Alcino Lopes

Vou de ferias. Ainda bem, porque já estava um bocado farto de trabalhar (ao contrário destes gajos aqui na oficina que parece que não precisam de o ganhar ao fim do mês).
Também, quem é que consegue estar num sítio que tem RFM a tocar durante o puto do dia inteiro? Puta que pariu, ando a ouvir a mesma merda da mesma música-de-ir-ao-cú há já um mês!!! É preciso ter coragem para não chegar de manhã e partir aquela merda toda até encontrar o caralho do rádio. Nem sei como é que os utentes agunentam aquela merda, e os gajos nunca lá estão mais de 5 minutos seguidos...
Mas que merda é aquela afinal? “Grandes Músicas”? Onde, caralho?!? Na Roménia? “Música Nova”?!? Quando? Em 1932?!? E já agora, numa merda de rádio que tem 50 locutores durante o dia, é preciso cada um dos cabrões passar exactamente as mesmas músicas-de-ir-ao-cú que os outros 49 panascas acabaram de passar?!? E gramo esta merda o dia inteiro, cinco dias por semana, todas as putas das semanas do ano com excepção das férias. O que vale é que a hora de saída é às cinco e meia, senão ainda tinha de mamar com o “momento de reflexão” (um cabrão com voz de padreco pedófilo a começar aquela merda sempre com um “já agora…”), isso sim, seria a gota de água.
E não há como escapar àquela merda. O serviço é só “ranços” lá a trabalhar, em casa deles de certeza que os filhos ouvem aquela merda, e os gajos/as, para darem aquele ar de modernidade e que são uns gajos actuais, aqui vai rádio de merda e música de merda para toda a gente. O problema é não ser eu a mandar, é o eterno problema da democracia, acabas por cair na mediocridade da maioria, mesmo que não queiras.
Ao menos aqui na oficina ainda se vai ouvindo a telefonia a passar umas coisas bem valentes (com uma ou outra excepção, algumas à minha conta), se não fosse assim acho que já não andava aqui a aturar estes caralhos (mas já vi que o problema da falta de vontade de trabalhar não é da música, que estes gajos ouvem boa música o dia inteiro e usam essa merda como desculpa para andarem sempre todos fodidos a cair pelos cantos).
Sim, porque o meu veículo não sabia o que era uma oficina até ter vindo parar aqui e agora parece um daqueles drogadolas que se vê sempre a caminho do acampamento cigano, para arranjar produto. Ás vezes fico com a impressão que o cabrão do carro se fode de propósito só para poder vir aqui à oficina e ter o braza a soprar no tubo do gasóleo, para “desentupir”…
Mas vou de férias e isso é que importa. Praia, papo pró ar e gajas em bikini (para variar um bocado da Miss Calendário de Camionista ’47) durante umas semanas. É a sorte de um gajo trabalhar para alguns serviços do estado, pode-se tirar férias quando se quer e quem fica que se foda com o trabalho. Pode ser que desenrasque uma gaja qualquer para me mudar o óleo (ou isso ou vou ter mesmo de investir no raio da boneca insuflável…). De qualquer maneira já sei que quando voltar o carro vai estar a precisar passar aqui na oficina, a ver como andam as coisas nessa altura.

Telefonia

I made it through the wilderness,
Somehow I made it through,
Didn't know how lost I was
Until I found you
I was beat incomplete
I'd been had, I was sad and blue
But you made me feel
Yeah, you made me feel
Shiny and new
Like a virgin
Touched for the very first time
Like a virgin
When your heart beats next to mine...

Alcino Lopes

Tou aqui a contemplar a gaja do calendário e está-me a dar uma certa vontade de a foder, mesmo em formato calendário (abre-se um buraco e está o problema resolvido) e não consigo encontrar nada que me impeça, a não ser toda uma sociedade que me oprime e limita a minha liberdade individual de me relacionar com o outro (pareço um intelectual de café dos anos 70 a falar, ou um hippie...).
Ponho-me a pensar de onde vem esta repressão em relação ao sexo. Porquê toda esta atitude de esconder uma coisa bonita, perfeitamente natural, um impulso perfeitamente saudável do ser humano de se relacionar com o "outro"? Porque é que um gajo não pode andar por aí a foder pelos cantos como os bichos? Porque é que temos de controlar os nossos impulsos para podermos viver em sociedade? Os cães não têm problemas, se têm vontade fodem (ou cagam) onde tiver de ser, nem que seja em plena rua, e para foder nem faz diferença ser cão ou cadela. Porque é que temos de ser diferentes (eu sei, não andamos em 4 patas, temos o polegar e um cérebro um pouco mais desenvolvido), mas (e isto é só uma ideia) e se fosse perfeitamente normal andarmos nus pela rua (e não defendo o naturismo, nem que seja pelo frio que ia ter) e copularmos com quem nos desse na gana, com quem nos desse tesão? De onde vem toda esta vergonha que sentimos de mostrar o próprio corpo e de tocarmos uns nos outros (é que para mim tocar em, ou ser tocado por alguém é nojento)?
Mas agora que penso nisso, não é só em relação ao sexo que temos esta percepção, é em relação a tudo o que diga respeito ao que sai do nosso corpo, sangue, merda, mijo, ranho, unhas, cuspo, suor, esperma, etc. E em relação ao corpo em si - pés são uma coisa nojenta para muita gente, assim como o olho do cú, assim como o nariz, ou os sovacos, ou as orelhas... E isto só leva a que criemos gajos com fobias ao próprio corpo, a partes dele ou ao que dele sai (ou nele entra). Porque é que a merda cheira mal? Ou melhor, porque é que fomos condicionados a considerar repulsivo o cheiro da merda? Não quero dizer que ache normal qualquer gajo que obtenha prazer com a própria merda (ou com a dos outros - já agora, chama-se isto coprofilia, do grego "kopros", que significa merda, sendo "merda" um galicismo - a puta da minha prof de português estaria agora orgulhosa de mim...), mas porque é que sentimos necessidade de criar este sentimento de repulsa em relação ao nosso corpo? É que se não sentimos nojo dele passamos para o outro extremo de obsesssão doentia em tudo ao que ao corpo diga respeito, e a merdas que classificamos de doentias (como fetiches, por exemplo, porque é que um gajo que gosta de cabedal e de ser chicoteado é doente?) com ele relacionadas. De onde vem a necessidade de reprimir a curiosidade do ser humano em relação ao próprio corpo, a necessidade de tornar o corpo uma coisa nojenta de onde sai merda e mijo (mas onde entra comida e bebida que já são coisas boas), de onde sai esperma e fluidos vaginais (mas onde são concebidos os bebés que são uma coisa boa, nem que seja por serem a continuação da espécie). Com tanta repressão acabámos por perder algumas coisas importantes como o sentido do cheiro (que os animais ainda conservam e com isso sabem quando as fêmeas estão com vontade de foder), que já só nos serve para detectar odores fortes que nos causam atracção (como os perfumes) ou repulsa (como a merda). Sentimos necessidade de disfarçar o nosso próprio cheiro com perfumes (embora eu tenha de aturar bastantes gajos/as que ainda não sabem o que essa merda é!), mas experimentem a chegar perto de alguém que conheçam e cheirar essa pessoa (como os cães fazem para se cumprimentar, sem ser necessariamente cheirar o cú), o que acontece é: a) ela pensa que conhece um tarado, ou b) ela lembra-se que não lavou bem os sovacos de manhã. Para mim cheirar uma gaja, mesmo que cheire a perfume, dá-me tesão, mas elas costumam apenas achar que eu sou só mais um tarado... E só de estar a falar nestas merdas já estou a ver a cara de nojo da gaja do calendário, na sua pose altiva de quem nem deve saber o que é foder... mas eu bem que lhe explicava... qualquer dia estou igual ao braza, a fingir que vai cagar de calendário debaixo do braço. Perdemos completamente a referência em relação ao que somos (porque em relação a quem somos nunca fizemos puto de ideia...). Ao menos os bichos ainda conservam isso e nós, para nos sentirmos superiores, dizemos que aquilo é só instinto, que eles não têm noção do que estão a fazer. Nós complicámos tanto as merdas que hoje em dia o sexo é tudo menos o que deveria ser, ou seja, a forma de perpetuarmos a espécie (visão puramente heterossexual da coisa), ou ainda mais simples que isso, uma forma de duas (ou mais) pessoas comunicarem uma(s) com a(s) outra(s), ou simplesmente uma reacção social (ou simplesmente animal) à atracção que alguém provoca em nós (a gaja é boa, então vou lá e fodo-a).
E esta merda toda porquê? Porque levei mais uma nega daquela badalhoca do 5º esquerdo! Puta de merda, já mamou na gaita do resto dos gajos do prédio, mas a mim... nem pensar nessa merda!
Diz que é uma mulher de respeito (pedir-lhe um brochezito não é bem faltar ao respeito), que sexo... nha nha nha não sei o quê... casamento (foda-se!!!). A gaja quer o pito e as mamas (e o cú) para quê? A cona não lhe serve só para mijar, as mamas não servem para dar leite aos filhos (para ter filhos há que foder minha senhora!) e o cú não serve só para cagar.
Ao menos a gaja do calendário não ia protestar muito, mas tenho receio que o braza, consumido pelo ciúme, faça uma loucura (agora pareço o argumento de uma novela brasileira manhosa).
Por falar nesse gajo, já começo a ficar farto daquela história de me ter esquecido de pôr água no depósito do limpa pára-brisas, Um gajo não se pode esquecer de nada que é logo gozado como se fosse atrasado mental (ou como se fosse uma gaja - tá bem que um esquecimento desses é mesmo coisa de gaja, mas ainda assim...). À conta dessa merda estou aqui outra vez e lá se vai mais um bocado do meu ordenado que não gasto em copos (sim, já que não faço mais nada...).

Telefonia

…You can blow out a candle
But you can’t blow out a fire
Once the flames begin to catch
The wind will blow it higher

Ibeson Gudiear

Oh Tó a curpa não foi minha, não... Foi como si tivesse uma voiz chamando por mim a pedir para botá a Marilene perto da lata do óleo queimado. Mas oçê tem que admití que assim tá bem mais gostosa? Só lhe fautava um um biquini mais piquino e ficava supimpa di bom. Por acaso isso era uma das coisas boa de Mucugê muyer bonita, feia com pêlo na perna e bigode todo o mundo usava biquini piquinino pá chuchu.
Olha lá Tó, o Aurcino tem muyer? Todo imaginando uma muyer com um bigodão daquelis e com cara de... Oh pá como se chamava aquele carro de combate?... Chaimite é isso não é? Ela deve ter cara de chaimite, não achas Tó?
Eu é que gostava de pegá uma muyer tê familia aqui em Portugau mas não tô vendo jeito não, lá no culto a coisa anda muito má é muyer feia, feia não uis macacos de mucugê eram mais bonito qui isso. No outro dia pensei pegá uma pá dançá bebê uma cachacinha era uma bela moça até que ela começou falando ela tinha uis denti todo verdi xiii párecia que tinha bebido água da pôça...
Se ao menos Marilene olhasse para mim, com ela não importava di casá não...
Oh não lá vem o Aurcino di novo vai dizê que o carro não pega bem só empurrando e que o pinga-inga duis vidro não bota água não, vai vê ele não lembrou di botá água oura veis. Qui será que ele vem fazê cá todo o santo dia?

Marilene: a menina do calendário

Estou muito triste! Nem o sol bonito que está hoje me alegra! Nem um milagre do meu São Vítor me tirava esta tristeza que tenho no peito! Aliás, é tudo culpa dele! Do meu peito, claro! O São Vítor não tem culpa de nada. Pintei o cabelo de castanho, para quê? Continuam a ver-me como uma miúda de calendário qualquer! Só pensam em... eu nem me atrevo a dizer! Ainda os meus Santinhos se lembram de me castigar! E eu não sou uma rapariga dessas. De andar para aí a dizer asneiras. Ai, quem me dera fugir de vez com o Alfredo! Aposto que o Alfredo é um rapaz sério, daqueles que já não existem. De certeza que me levava a passear e a ver Paris. O Ibeson é que me contou, que era a rota do Alfredo. E eu sempre sonhei ir a Paris. Descer os Champs Elysées no camião do Alfredo! Isso é que era! Agora, passo os dias a aturar cada um. O Senhor Alcino põe-se aí aquele discurso de vítima, a dizer que trabalha muito e que trabalha muito. Balelas! Olha, olha, a ver se eu caio. São todos iguais! São todos iguais! Mas aqui da Marilene não levam nada! Uma rapariga tem que se dar ao respeito, ora essa! A ver se os carros não gostam que os tratem bem!

Telefonia

I'm a man of many colours
Only yesterday I was blue
Ten days from now I'll be different
And so will you...

Alcino Lopes

Foda-se! (devo sofrer de Tourette ou o caralho, tenho a mania de começar a falar sempre com um palavrão, tenho de falar nisto ao Dr. Osório, a ver se há drogas que curem esta merda, já que os anõezinhos verdes não resultaram...)
Gajos chatos são iguais no país inteiro. Começo a achar que o problema não são as pessoas que são chatas ou burras ou que querem vigarizar o estado (para quem eu trabalho). Acho que o problema sou mesmo eu e a maneira como falo para elas que as faz começar instantâneamente a espumar pela boca.
Eu bem tento ser simpático, atencioso (bem... é mais para as gajas com bom aspecto), mas as gajas armadas em boas, os dótôres(as), os velhos armados em espertos e de um modo geral qualquer gajo que me apareça á frente com a puta da atitude de quem só tem direitos e se esquece das obrigações, toda essa corja me tira do sério. E como passei quase 8 anos de trabalho a aprender a foder a vida ao utente chato (e tenho um excelente desempenho nessa área, ultrapasso largamente os objectivos, conseguia irritar o Ghandi se tivesse de atender o cabrão – bem… se o cabrão ainda fosse vivo...) sinto um certo prazer interior cada vez que apanho um destes espécimens pela frente.
Não foi para isto que eu fiz o 25 de Abril (práí com 2 anos... mas fiz!), onde é que está o respeito de que eu ouvia falar em relação aos funcionários do estado? Eu afinal trabalho, não vou lá todos os dias só para coçar o escroto como eu vejo o braza a fazer aqui na oficina. Enganaram-me bem quando me falaram que trabalhar para o estado era só facilidades - ando a ser enrabado com essa história desde que comecei a trabalhar para esses filhos da puta (ou seja, para todos nós - "l'etat c'est moi" aussi). Trabalho que nem um cão (bem… quase todos os dias, não é sempre, não quero enganar ninguém), sou tratado de preguiçoso, vigarista e merdas afins por gajos que são todas essas merdas e coisas bem piores, gajos engravatados a esfregar a merda do diploma no nariz dum gajo que depois parecem analfabetos quando têm de preencher um impresso de merda onde é quase só escrever o nome... Não vejo aumentos (merdas abaixo da inflação não são aumentos, é gozar com a minha cara) desde... bem... sempre, tenho a "carreira" congelada e só ouço falar de que vão uma camada de gajos para a rua (ou lá que merda lhe chamam agora) e ao fim destes anos todos não percebo o que caralho tem de bom trabalhar para o estado para além do horário certo e ordenado garantido (como tem muita gente no "privado"). E também, se for para a rua, que se foda! Também não gosto daquilo, nunca gostei, "I wanted to be a lumberjack, leaping from tree to tree as they float down the mighty rivers of British Columbia..." pode ser que fique com mais tempo para viajar (só vou é ter de roubar um banco para arranjar dinheiro para essa merda).
Mas isto está a mudar em todo o lado, o Sr. Manel que não se ponha a pau e qualquer dia volta e tem a oficina transformada num centro de tuning, tudo limpinho, cheio de mostruários de autorádios, colunas, amplificadores e jantes, cheio de posters de Corsas, Golfs e 306's todos kitados (as saudades que eu vou ter das mamas da gaja do calendário). Já começou no portão da garagem com os grafittis, ainda vou ter de andar aqui a tratar o Tó Manel por T-Man e o Sr. Manel por Manny the Dog. Até tenho medo de trazer cá o meu sucatório, fico sempre á espera de o vir levantar e de me entregarem uma merda que mais parece uma árvore de natal, cheio de plásticos a raspar pelo chão, jantes maiores que os pneus que tenho montados agora, tablier a parecer o centro espacial da NASA e sem espaço na mala para mais que uma caixa de pastilhas elásticas no meio das colunas e restante tralha... foda-se! era só um pesadelo... acorda, caralho!!!

Tó Manel

Gostava de saber quem é que andou a pintar o cabelo da miss salvem as arribas da Costa com marcador castanho. Deve ter sido o Ibeson, não tem mais nada pra fazer aquele gajo. Se em vez de andar por aí a sonhar acordado, e a bater punhetas na casa de banho à pala da gaja, fosse mudar os amortecedores do Sunny que aí está há 15 dias é que ele era um gajo esperto. Só porque curte morenas, eu acho que até estava bem como estava. Quer dizer, é um bocado indiferente, loira, morena… loiro. Desde que mexa… O gajo bem diz que tem saudades dos tempos no Brasil, em que a vida do gajo era ginásio de manhã, comer uma gaja do ginásio, praia de tarde, comer uma gaja da praia. Até o gajo, que parece um totó do caralho por aí, se safava à grande. Realmente aquilo é outra cena, não deve ser nada mau por lá, ia safar-me à grande também. Comer pessoal, praia, ginásio, deve dar prá banda também. E lutas e tensão social que baste para manter aceso o espírito revolucionário.
Já passei por essa fase, levar o calendário para a casa de banho, mas não me dou bem com relações físicas. E relações platónicas com calendários dão sempre mau resultado, não há maneira de fugir ao passar do tempo. Pensas demais nisso, e acabas por matar o amor. Lembra-te constantemente das datas importantes, como uma gaja a sério, e dessas já estou farto de aturar. Até era capaz de me apaixonar pelo calendário, não fosse o passar do tempo em frente ao olhos, constantemente, todos os dias. E depois de as decisões estarem tomadas não há muito que se possa fazer. Voltar agora atrás era voltar à estaca zero, e sou um gajo que precisa de liberdade, livre da minha consciência, livre dos meus pensamentos. O tempo do grande masturbador na casa de banho acabou.
Agora com a cabeça toda pintada de castanho torna-se mais difícil. Realmente o mundo é injusto, e os homens são de facto uns cabrões em bué da cenas. A diferença com que se trata, instintivamente, uma gaja boa de uma gaja feia é do caralho. A diferença com que vou falar com alguém que quero comer, e com alguém que nem por isso deve-se notar a milhas. Eu próprio me apercebo. Mesmo aquelas amigas que não são assim tão giras, demora até conseguir estabelecer aquela relação de… ok, é óbvio que não te quero comer, podemos estar à vontade um com o outro. Se forem giras ficam logo com todos os caminhos abertos, não é só na amizade, notas que é assim com tudo. Num emprego, numa fila dum supermercado, na entrada prós concertos. Podes fazer alguma coisa, produzir-te, arranjar-te, mas milagres não há. Basta ver que entre Mariah Careys, Nelly Furtados e essas merdas, não há uma única que seja feia comó caralho. E se calhar há muita gaja feia a cantar melhor que elas. A música que cantam é uma merda e é, não há grande diferença. O mundo é uma cena injusta, e isto não tem a ver com ideologias ou outra merda qualquer, a natureza humana é uma cena do caralho. Venham-me explicar porque é que o Bloco teve a Ana Drago e a Joana Amaral Dias em posições de destaque em vez de uma dread de rastas, borbulhas e roupa rasgada, a fazer malabarismo.
De facto, a nossa miss estava bem melhor loira, dava melhor com o meu loiro e com os meus olhos azuis.

Telefonia

Life is what you want it to be, so don't get tangled up trying to be free.
And don't worry about it, what the other people see.
It's nothing...

Marilene: a menina do calendário

Estou farta! Agora, é mesmo de vez! Ibeson, toca a pegar em mim, que eu quero ir ali abaixo à Felismina pintar o cabelo. Estou farta de ninguém me dar ouvidos. E se é por eu ser loira, então, arranjo já solução! Também faz bem mudar e a minha querida Marilyn era bem mais bonita morena. Nem sei por que é que ela pintou o cabelo de loiro. Mas, daqui para a frente, as coisas vão mudar aqui pela oficina. A galdéria anda muito por cá, já parece que é tudo dela, a querer fazer grandes alterações e, se não me ponho a pau, vou parar outra vez ao contentor azul. De modo que a solução é pintar o cabelo de castanho escuro! Bem... não muito escuro. Isso não! Assim, um castanho claro... mais para o loiro escuro. Mas, castanho! Nada de loiros! Amanhã, vão ver a nova Marilene Todos-os-Santos! Quem sabe se não é bom para oficina, ter aqui alguém que pareça perceber de alguma coisa?!

Tó Manel

Os cabrões dos putos da sonho de Abril voltaram a vir aqui pintar o portão da oficina todo. Só tags, e ainda por cima pintam mal comó caralho. Esta merda até está a ficar fixe com as obras, não me cabe na cabeça é o Manel ter aquele guito todo na caixa e nunca dizer nada a ninguém. Nós a pagar juros da conta corrente no banco com aquele guito todo ali. Foda-se, nem sei que lhe faça, se não fosse eu esta merda já tinha ido pró galheiro há bué. Deu pra pagar as cenas todas e ainda sobrou pra isto, ver se começamos a trazer aqui malta com carros fixes, e já agora com guito, que pague. Nice, nice, era sermos reparadores autorizados aí de uma ou duas marcas, mas só comigo e com o brazuca tamos fodidos. Bem, assim vamo-nos aguentando, é preciso é manter esta merda com bom aspecto, o que vale é que durante o dia o portão está pra cima e não se vêem as pinturas. Acho que vou pedir aos bacanos do contingente pra virem cá e pintarem o portão como deve ser, com graffitis a sério. Ficava muito nice e os putos não iam pintar por cima... quer dizer... acho eu, já nem estas merdas os putos respeitam, estão-se a cagar pra tudo.
No 25 de Abril fui à manif contra o fascismo, como anarquista (não activista) que sou. Claro que fomos todos, a malta da banda e o contingente. Um gajo tem ideias bem definidas pra isto, sabe como quer fazer as coisas, como gostava que elas fossem, e a ideia de ter-mos políticos (no pior sentido da cena) à frente de um país, a decidir o que queremos, o que podemos fazer, faz com que vivamos contantemente à beira da ditadura - ou dentro de uma, versão soft. Não devia haver governos, porque as pessoas deviam ser livres. Enquanto houver poder, vai haver quem lá está e quem queira controlar os outros, é inevitável. A cena que queria mesmo era esvaziar o poder, mas deixá-lo vazio, dá-lo às pessoas. Utópico? Claro! Cada vez mais as pessoas, em vez de evoluírem, têm tudo o que precisam para isso nos tempos que correm, estupidificam, embrutecem. Se em vez desta sociedade de merda baseada no poder, vivêssemos numa baseada na inteligência não havia necessidade de poder, de polícias, de anti-depressivos. Qualquer gajo com dois dedos de testa, e um mínimo de cultura, percebe que é possível vivermos todos juntos e sermos todos felizes se vivermos a nossa vida e formos fixes pró resto do pessoal. E que andar à porrada, a tentar foder toda a gente, a fanar, a estragar, não leva a lado nenhum. Os putos hoje em dia não respeitam nada, a verdade é essa. Os que se revoltam contra as merdas e desatam a fazer esta merda toda só estão a piorar as coisas, e a contribuir pra que o mundo nunca mude, a dar motivos aos filhos da puta no poder para abusarem dele. Olhem o que aconteceu nos Estados Unidos com a merda dos atentados. Têm desculpa pra fazerem o que querem e o que lhes apetece, lá dentro e cá fora. Os pais em vez de terem livros prós putos lerem põe-nos a ver o Big Brother, porque eles também querem ver o Big Brother. Nem sabem de onde é que veio aquela merda, leram o Metro e o Destak porque são à borla, com as suas notícias de merda, vêem a TVI e acabou. E acabamos num mundo pior que o do 1984, forçarem-te a ver 4 dedos onde estão 5? Não precisam, as pessoas estão tão estúpidas que já não sabem contar. Acho que estamos pior que numa sociedade daquelas. O Moore escreveu a Utopia bem antes e, apesar de algumas merdas estúpidas, estava muito mais à frente, as ideias de sociedades que conseguem viver em paz por elas é do caralho. A anarquia exige níveis culturais e de inteligência superiores, que estão cada vez mais longe.
Conclusão, bazámos da manif assim que vimos o tipo de gente que lá estava. Bora lá partir esta merda toda contra o fascismo. Olha que bela merda, a dar motivos à bófia pra lhes ir à tromba é o que é. Adoro estes gajos que estão contra tudo. Contra o fascismo, e se pudessem matavam esta gente toda, ficavam com tudo e obrigavam toda a gente a fazer o que eles querem. Contra o racismo, e se pudessem matavam os filhos da puta dos brancos ou dos pretos, porque são racistas. Contra a globalização, e se pudessem matavam toda a gente no mundo, organizavam-se através da internet e iam de avião para encontros mundiais contra a globalização, com pessoal de todo o mundo que partilha as ideias deles. Será que só eles é que não vêem as contradições todas desta merda? Eu faço o que posso...

Ibeson Gudiear

Não confio no Seu Aurcino. Vem aí todo o dia, sempre com pobrema no carro e quando chega à hora de págá, nada. Não confio não... Ainda por cima dizem que é fiscau nas finança, isso ainda tráis mais água no bico. Um funcionário púbrico que anda de comerciau? Não sei não...Veste-se demasiado bem, tem demasiada pinta. Cá para mim anda tentando caí em cima do Tó Manéu, sempre amiguinho deli... Mistériooooooo...
Tó Máneu anda estranho desdi que tomó conta da oficina, isto começou à ficá mais limpinho, mandou nóis pintá o escritório todo de violeta, pusémo chao novo e agóra até temos pápeu no banheiro e não o desperdicio. Ainda no outro dia o ouvi dizê à filha de seu Máneu que vai fazê uma sala di espera pós clienti em vidro com televisão prana, revistas e tudo... Não sei o que se passa nesta oficina, esse negócio anda estranho pá xúxú. Foi desdi que essi seu Aurcino chegô aí...

Pô lá tá ele di novo mirando minha bunda e Tó Máneu...Não sei não...

Será que ele disfraçado pá mi pegá e mandá di novo pá Mucugê?...Não sei não...

Telefonia

People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care, but...
Things have changed

Alcino Lopes

Estou práqui sentado num cadeirão sebento e todo fodido, rodeado de sucata e óleo queimado, a ouvir merdas antigas no iPod (Touched by the hand of god, para ser mais preciso. Eu sei, sou um produto da cultura pop dos anos 80, traumas de infância...) á espera que estes gajos me digam alguma coisa se tenho ou não de trocar os pneus do chaço e reparo que o Tó Manel está a contemplar de forma estranha o rego do cagueiro do braza que está neste momento agachado a ver se o caralho dos pneus têm rasto ou não. É pá, eu até entendia a cena do cú, também gosto de comer o meu cagueiro quando posso, no entanto acho que um cú pode ser cú, mas há um milhão de pêlos de diferença... E eu para pêlos já me bastam os meus.
Apercebo-me que já convivo com o gajo á uma data de tempo e nunca tinha reparado que o gajo gosta de cú com pêlos (ou não, mas também não vou perguntar, não vá o gajo pensar que estou a oferecer alguma coisa).
É mesmo verdade que ninguém conhece ninguém, e digo isto da forma mais absoluta possível - nem a nós próprios nos conhecemos. E mais, todos nós temos sempre uma necessidade qualquer de esconder algo acerca de nós de quem nos rodeia (ou não é nada disto e sou só eu que penso e sou assim). Seja por ser algo de que nos envergonhamos ou apenas algo que queremos esconder de modo a preservar a nossa individualidade como seres humanos. E isto acaba por dar situações estranhas, como contar a um perfeito estranho com quem falei no comboio ou no metro uma merda qualquer que me define (ou rotula) como pessoa - qualquer coisa de verdadeiramente essencial - e depois não conseguir fazer o mesmo com a pessoa com quem vivo e a quem digo todos os dias que amo e ao falar com o estranho sentir que estou a traír a pessoa que me é próxima (como se fosse sexo intelectual). Ou também escrever merdas sob pseudónimo, porque é demasiado complicado dizer certas coisas em voz alta (ou ninguém te liga, ou acabas por levar com mais uma etiqueta e eu não gosto dessas merdas - tenho alergia ao autocolante). Ninguém conhece ninguém, podes conviver durante anos com alguém e nunca te aperceberes que esse gajo(a) te odeia e só te suporta porque precisa de ti para subir na vida ou que te segue para todo o lado porque sonha com o dia em que te vai mamar na gaita e te vai confessar que te ama, ou qualquer outra coisa, podes cumprimentar o teu vizinho todos os dias, ter o gajo a jantar lá em casa, ...e nunca te aperceberes que o que gajo curte mesmo é a cena das algemas e da roupa de cabedal, acaba por ser um bocado aterrador viver com esta forma de encarar o mundo e as pessoas. Acabo por criar papéis que represento conforme o público que assiste (ou então isto sou apenas eu e a minha esquizofrenia, o cabrão do psiquiatra não me quer receitar drogas pra isto, o que é que eu tenho de fazer? comecar a falar dos anõezinhos verdes ao filho da puta?) para esconder aquilo que acho que vai chocar ou apenas para estar na defensiva em relação a alguém que me assusta ou me tenta controlar. Ninguém conhece ninguém, a pessoa que te diz que te ama não é de facto isso que quer dizer, ele(a) apenas ama a imagem que tem daquilo que gostava que fosses e apenas te suporta e convive contigo porque és uma vaga aproximação dessa imagem e vais dando para desenrascar. Ou tens guito a menos, ou piça a menos (ou a mais?!?), ou pança a mais, ou pêlos a mais, ou os dentes todos podres, ou és um banana, ou tens um feitio de filho da puta, é só escolher.

Foda-se, que horas são? Tenho de falar com o Sr. Manel para ele por ordem nesta merda, estou aqui já faz 2 horas a ouvir estes gajos a falar do meu carro como se fosse um caralho dum Ferrari e que os Pirelli PX23 são melhores que os Bridgestone SB44 e que nem pensar nos Michelin VSC44D (ou qualquer outra merda parecida), e quais é que curvam melhor, como se eu entendesse alguma coisa dessa merda. Quero que o filha-da-puta do chaço ande sem eu ser multado por ter os pneus carecas e que essa merda não me saia muito caro, que o estado não me paga assim tão bem e eu estou a foder o dinheiro todo que tenho com outras merdas - tenho projectos, I have a dream.... Ainda se desse para comer a gaja do calendário, essa sim tem um cú valente, e sem pêlos, espero eu...

Telefonia

Late in the day Tom can still be found, listening to music, the Velvet Underground.
He thinks it's a shame that he can't be like Lou, or someone good,
With the power to explain how he fights for control...

Tó Manel

Este Alcino é um gajo do caralho. Por mim não percebo nada do que o bacano diz, mas gosto. Se não fosse tão inteligente dava pra político. Curto malta assim, com ideias. Adoro que o gajo passe por aqui e fique a tarde inteira a falar. Por isso é que nunca lhe arranjo o carro como deve ser, volta meia volta tem que cá voltar. É verdade que há malta que não pode com o gajo, que o acha um chato do caralho, mas eu curto-o, e aprendo bué da merdas com ele.
Eu o dom da palavra claramente não o tenho (olha aí man, pareço o gajo a falar, eh eh), mas as ideias não me faltam, se conseguisse passar isto tudo pró papel deixava a banda e ainda me tornava cantor de intervenção. Vem a propósito da época e tudo, com isto do 25 de Abril e do 1º de Maio e tal. A merda dos cantores de intervenção é que, os poucos que existem só aparecem mesmo no 25 de Abril, a cantar a milionésima versão do Grândola vila morena, ou da pedra filosofal ou o caralho. A combater o fascismo... Pois sim, a combater os fantasmas do passado e a ver se ganham algum. Com tanta merda que há no mundo hoje estes caralhos continuam a combater o morto, em vez de se revoltarem contra a filha da puta da maior ditadura... desculpem, democracia, do mundo. Com o maior fanático de todos à frente daquela merda, o gajo não é melhor que os árabes, com a desvantagem de ser um completo atrasado mental, de aparecer de fatinho e ter milhões de gente estúpida a votar no gajo. As democracias são uma ideia do caralho - pena é as pessoas serem cada vez mais estúpidas, e teres que te sujeitar a elas. Uma ditadura da maioria, é o que digo sempre. Não ajuda o facto de no país mais poderoso de todos as pessoas serem mais estúpidas que a média. A começar pela besta do Bush.
Noutro dia uma amiga minha disse-me que deixava pra mim a ideia de dominar o mundo... ná, não sou suficientemente estúpido.

Marilene: a menina do calendário

Este Senhor Alcino! Agora, anda cá sempre metido. É o que dá ser funcionário público. Sai do trabalho às cinco da tarde e, depois, vem chatear quem dá no duro. Que sorte a minha, ele ter apanhado o Tó Manel a jeito! Era o segundo sonho da minha mãezinha (que está no céu, Nosso Senhor a guarde!). Se eu não fosse menina de calendário (valeu-me a cinturinha), queria muito que eu fosse funcionária pública, para poder arranjar as unhas sempre que quisesse, sem ninguém me chamar à atenção. E sair a meio da tarde para ir arranjar o cabelo e não dar explicações ou almoçar com o Óscar, que naquele tempo andava a arrastar a asa para cima de mim, à beira-rio e demorar duas horas. E foi o que eu fiz mal! Pintei o cabelo de loiro, meti-me com o Tó Manel e foi a minha desgraça. Agora, estava casada, com um filho ou dois, um apartamento na Costa e ia passear todos os Domingos com o Óscar para o centro comercial de Oeiras (que é chique!). Mas e o sonho da minha mãezinha?! Não podia dar esse desgosto à velhota, logo depois do Senhor Manel lhe ter posto os patins. É que gosta de rodas, o Senhor Manel! E pneuzinhos. Uns dias depois, já andava no café do Aníbal a fazer-se à Floripes, que tinha acabado de se reformar. A falar em pneus... Então, não é que agora anda aí um boneco insuflável a dar conselhos sobre pneus? Já me bastavam as outras, aquelas loiras sem coxas, que se enchem com uma baforada, a fazer o meu serviço! Foram a desgraça para os calendários! E agora tenho de aturar também o boneco a querer usurpar o meu trabalho. Se não me ponho a pau, qualquer dia estou no desemprego! Sendo assim, também quero um site na internet! Huummm... Como é que eu vou convencer o meu Tó Manel? Porque dessas modernices, não percebo nada. Agora de pneus e carros, não há ninguém aqui como a Marilene! Conselho do dia: antes de viajar, verifique sempre a pressão dos pneus! (Isto para o boneco não me fazer passar por parva!).

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